A QUEDA DA LIDERANÇA TRADICIONAL

Segundo os historiadores, quando um fato histórico está em curso, quase sempre é bastante complicado para aqueles que estão vivendo este momento histórico compreenderam a dimensão e seus impactos ao longo dos anos.

As repercussões e desdobramentos apenas poderão ser realmente avaliadas anos depois e em muitos casos, décadas após tais movimentos ou liderança acontecerem. Não estamos diante de algo novo, mas sim de uma constatação real em relação de como nos comportamos aos eventos presentes.

 

SUA LIBERDADE TERMINA QUANDO COMEÇA A LIBERDADE DO OUTRO

Se por um lado vivemos um momento bastante único em relação ao comportamento humano, uma vez que estão sendo exigidos de todos nós uma nova relação de interação já que o simples ato de utilizar uma máscara em nossa face protege o outro e não apenas a mim, mas também do que pode afetá-lo.

Tenho a ligeira impressão que começamos com a compreender a frase “Sua liberdade termina quando começa a liberdade do outro”. Basicamente, estamos iniciando um processo de entendimento do que é liberdade.

Quando falamos de liberdade estamos dizendo da capacidade que o ser humano tem em ser o dono das suas ações. Em sua ontológica obra O Livre Arbítrio, Santo Agostinho aprofunda a relação humana com a liberdade.

Ele traz à tona a reflexão de que podemos absolutamente tudo, mas será que tudo convém? Vivemos tempos de reclusão, porém não sem liberdade. O digital abriu caminho para o infinito. Rompeu limites geográficos, mostrou a nudez da natureza, seja pelas maravilhas dos animais, plantas e mares, ou mesmo a beleza do corpo humano. Com ele, o digital foi apresentado a nós como um mundo novo ou melhor uma nova forma de olhar o mundo.

 

A LIBERDADE, PILAR DA QUEDA DA LIDERANÇA TRADICIONAL

O pós-guerra nos trouxe a urgência de atuarmos em conjunto enquanto humanidade. Mas jamais podemos esquecer que a humanidade não pode ser restringida a Europa, América do Norte e parte do Ocidente. Esse foi o contexto de mundo que de fato entrou nos organismos criados no pós-guerra e realmente aderiram às suas proposições.

A liderança do pós-guerra teve sua base alicerçada no poder, força e determinação. Se esse era o melhor modelo a ser implementado, nunca saberemos, pois como disse no início deste artigo, julgar os fatos quando já é história é relativamente fácil e em certos momentos até pode ser dito que é um ato covarde, afinal não estávamos naquele momento histórico para ter outra atitude ou ainda caminhando pelo fato de que normalmente repetimos o que a maioria faz, é bem possível que faríamos o mesmo que em muitos momentos condenamos.

As últimas décadas, trouxeram para a humanidade uma enorme prosperidade, riqueza e liberdade. Muitos avanços médicos possibilitaram uma enorme ruptura com os padrões vigente. Um exemplo, foi a pílula anticoncepcional que libertou as mulheres dos padrões até então vigentes.

A grande inovação tecnológica vivenciada pela humanidade nos últimos 20 anos acrescentou riqueza as nações e facilidade nas interações diversas. Mudamos nossa forma de viver, nos relacionar e interagir.

Em contrapartida a todas as mudanças vivenciadas por nossa sociedade, elas não se refletiram em mudanças na forma de liderar. Continuamos presenciando a valorização da autoridade, poder e regras. Se por um lado o ser humano procurou ao longo das décadas tentar responder algumas questões latentes, a liderança iniciou um processo de perda da sua autoridade ou mesmo seu questionamento.

 

A QUEDA DA LIDERANÇA REFLETE A MUDANÇA NO SER HUMANO

O indivíduo tem se tornado cada vez mais o protagonista. A busca pela felicidade e a vivência de um propósito tem colocado o individual no centro, bem como suas satisfações e realizações. Autodesenvolvimento, busca por treinamentos e cursos de desenvolvimento das capacidades humanas, alinhamento da essência com a jornada profissional, estes são alguns dos movimentos intensamente percebidos nas sociedades modernas.

Quando nos debruçamos apenas sobre as terapias de desenvolvimento pessoal percebemos uma quantidade quase infinita de possibilidades. Isso tudo reflete a sede em buscar uma vida mais alinhada com os valores do indivíduo.

O retorno ao Sagrado é outro ponto que externa esta nova visão de mundo do ser humano atual. O aumento de que somos parte de um todo e este todo possui uma espiritualidade que tem levado milhões a buscarem uma orientação, ou ainda uma melhor compreensão do seu papel no mundo, o que em muitos casos tem também originado um sentimento de pertencimento a uma força maior, que aqui chamo de Sagrado.

Leia também: A PSICANÁLISE COMO MOTOR DA EXPONENCIALIDADE PESSOAL

 

A LIDERANÇA COMO CENTRO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Os relacionamentos humanos sejam eles familiares, profissionais ou sociais são na sua grande maioria, a maior fonte de desenvolvimento que experimentamos ao longo da vida.

Depois destes relacionamentos, apenas as viagens têm a capacidade de continuar moldando um ser humano a partir das experiências vivenciadas. Contamos, durante toda a nossa jornada enquanto espécie, com alguém que norteou ou mesmo foi um divisor em nossa vida e nos influenciou em relação àquilo que somos.

O líder desde nossa primeira juventude tem papel importante nas marcas que vamos desenvolvendo sejam elas nas experiências do bem ou do mal.

Quando refletimos sobre a queda da liderança estamos lançando luzes sobre uma perda considerável da capacidade humana de relacionar-se com os outros. Temos, porém, o afastamento do indivíduo da liderança justamente porque ela não compreender as mudanças em curso.

Seria possível pensar que bastaria um novo posicionamento da liderança para que o resgate do seu papel acontecesse, mas estamos diante de algo bem maior que apenas uma mudança de posicionamento.

Estamos diante de transformações com grandes consequências em nossa forma de nos relacionarmos com a natureza, com os outros e com tudo que precisamos para viver. Estamos passando do mundo da posse para o mundo do acesso inclusive em relação a liderança.

A questão é urgente. A queda da liderança externa mostra nossa incapacidade de resposta às questões individuais e globais. Convido você, caro amigo que caminha comigo em nossas reflexões para que juntos passamos nos aprofundar no tema e trazermos possibilidades reais de desenvolvimento de uma nova forma de liderar. Saiba, no entanto, que ela já existe e nasce do mais humano do sentimento.

SOBRE O AUTOR:

Benício Filho.

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela UNIFESP em Neurologia Oftalmológica na área de Empreendedorismo e pós graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 300 eventos (número atualizado em dezembro de 2019). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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