TENHO ORGULHO DO QUE ACUMULEI DE CONHECIMENTO

Recentemente escrevi um artigo sobre ancestralidade. Quando olhamos o que somos, ou pelo menos, o que chegou até este momento da história, pensamos: O que realmente nos traz alegria, orgulho ou o que pode nos causar dor? O que fazer para alcançar esse conhecimento?

No artigo “Ancestralidade: Somos parte de uma herança”, navegamos pela história de nossos ancestrais que muito influencia e colabora para o que somos. Como dizia Sigmund Freud, “Somos parte de um todo”. Nestas partes, o meio em que vivemos compõem aquilo que somos.

Sem entender o que nos trouxe até aqui e por que estamos aqui, como responder a tantas questões que temos sobre nossa existência? Ou como é possível compreender nossos sentimentos, angústias ou travas que levam a crenças limitantes que em muitos casos estão ligadas diretamente a nossa origem?

Quando falamos de conhecimento, muitas são as vertentes que poderíamos abordar. Mas quero enquanto psicanalista e fundador do Instituto Elaborar com meus queridos sócios (Greice Vasques, Sheila Murari e Marcos Doni) aprofundar a temática do conhecimento a partir do universo da formação formal, escola, universidades etc. Além do conhecimento vivido e experienciado.

Você vem comigo?

DESVELANDO O CONHECIMENTO

Somos parte de um todo que se compõe por experiências e aprendizados. Na obra crítica de Immanuel Kant, a razão pura construiu suas observações acerca do comportamento humano. Ele queria, segundo sua tese demonstrar que nascemos como uma folha em branco e que a cada experiência vivida, vamos acumulando conhecimento a adicionando à esta folha pigmentos.

Sabemos hoje, que Kant estava muito correto em sua análise. Sim, as experiências que são vividas compõem o mosaico da nossa existência. Mas é inegável que carregamos uma boa carga de experiência dos nossos ancestrais ou até mesmo em uma fase sem muita consciência de tudo que vivemos.

Santo Anselmo elevado pela Igreja Católica, redigia seus tratados sobre o conhecimento e trazia à tona o ato do desvelar. Desvelar para Anselmo era como colocar luzes sobre algo que é obscuro.

Para que acreditemos no que somos, precisamos fazer como Anselmo dizia “Desvelar o que de fato sou e ter orgulho do que acumulei de conhecimento”. Entenda aqui como conhecimento duas possibilidades: Conhecimento formal e Conhecimento vivido ou experienciado.

CONHECIMENTO FORMAL

É todo aquele que somos expostos, com as eternas grades curriculares que pouco demonstram efetividade na vida, mas que são essenciais para que possamos estar inseridos no contexto do mundo formal.

Gosto de refletir sobre a educação que temos ou tivemos de base, pois ela constrói ou como gosto de dizer. forja nossa identidade. Somos campeões mundiais enquanto brasileiros em relação a quantidade de conteúdo que somos expostos na escola.

Porém, quando é comparado nossos resultados em matemática, português etc., ficamos entre os piores países do mundo. A realidade é que a quantidade de materiais e temas que são colocados nas grades de ensino pouco tem de aderência a vida real.

Triste constatar essa realidade, pois passamos boa parte da vida em escolas e universidades. Para que o conhecimento seja aderente a vida, ele precisa fazer sentido a ela. E desta forma, pensar no conhecimento vivido e experienciado pode fazer toda a diferença em sua vida.

DEVEMOS NOS EMPODERAR DO CONHECIMENTO VIVIDO E EXPERIENCIADO

Minha mãe não teve acesso à educação formal. De família simples e que sobrevivia da agricultura, primeiro no interior de São Paulo e depois no Paraná, nunca pode em sua vida ter acesso ao ensino formal. Já adulta, pode ser alfabetizada e assim pode ler e escrever mesmo com dificuldade.

Sua sabedoria foi um divisor de águas em minha vida e na dos meus irmãos. Construiu o que sou e levo comigo muitos aprendizados que apenas ela poderia ter ensinado a mim. Lembro também de uma viajem que fiz há muitos anos ao interior do Brasil mais precisamente no Acre.

Por vezes, viajei pelo Norte e Centro Oeste do Brasil, ora em viagens a trabalho ora em viagens de lazer. Em uma delas em especial tive contato com algumas comunidades indígenas. Confesso que poucas vezes em minha vida tive acesso a tanto conhecimento em tão pouco tempo como foi possível conversando com aqueles índios sobre o modo de vida, as plantas e os animais.

Distante do ensino formal, temos a tendência de ignorar o conhecimento vivido ou como tenho dito o conhecimento que faz parte das experiências que somos expostos. Olhamos o LinkedIn de alguém e nos maravilhamos com o currículo exposto. Mas quantos do que passam anos estudando realmente são enquanto seres humanos alguém que queremos ter perto de nós?

NÃO CONSTRUÍMOS NADA SOZINHOS

Viver é construir uma jornada, mas não construímos nada sozinhos. Quando escolhemos quem queremos ao nosso lado, escolhemos acima de tudo a pessoa que nos fazem bem, não apenas pelo o que estudaram ou o que são formalmente.

Nossa experiência de vida constrói o que somos e é estruturada pelo que mostramos na prática. Quem vive de máscaras suportando na vida aquilo que não é, pode facilmente ser levado a uma neurose que exerce mais pressão pela figura criada do que pela sua essência.

O monstro criado em função do que queremos ser desmorona e corrói seu eu verdadeiro.

Quando negamos nossa sabedoria construída por meio do conhecimento adquirido por nossas experiências negamos aquilo que somos de maneira real. Em um mundo marcado pelo que é exposto nas redes sociais temos a tentação de viver o que é expresso ali, mas não podemos esquecer o que realmente somos.

SERÁ QUE ESTOU PRONTO PARA EXPOR PARA O MUNDO O CONHECIMENTO QUE TENHO?

Quando buscamos a nossa essência, e fique claro aqui que em um processo terapêutico a grande busca é justamente pela nossa essência. Um dos pilares fundamentais e basilares é justamente o empoderamento do que temos de conhecimento.

Lembro que em alguns processos terapêuticos que participei, quando a busca é real pela essência reconhecendo e se empodeirando do conhecimento vivido, transformamos nossa visão do que somos. Nesta construção, que gosto também de chamar de ressignificação, muitas foram às vezes que vi novas jornadas começarem de vida.

Novos contornos, reconhecimento e orgulho da vida vivida e uma consequente abertura de possibilidades e novas oportunidades. Quando negamos o que somos, negamos justamente o melhor que temos. Mesmo que em muitos momentos essa jornada tenha sido de dor, jamais esqueça que ela também revela todos os aprendizados.

Um casamento rompido, empresas quebradas, em alguns casos perdas profundas e doenças podem ser vistas como percalços ou sofrimento. Mas tais experiência nos colocam em vantagem quanto a maturidade e sabedoria.

Como não se empoderar disso?

Somos chamados a gritar para o mundo quem somos! O mundo literalmente precisa de exemplos e de vida vivida, e de não títulos de powerpoint.

Para ter coragem de assumir tudo isso para o mundo em muitos casos, precisamos de ajuda. Saiba que você não está sozinho. Agende um momento conosco e caminharemos com você.

SOBRE O AUTOR:

Benício Filho.

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela UNIFESP em Neurologia Oftalmológica na área de Empreendedorismo e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 300 eventos (número atualizado em dezembro de 2019). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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