A CIÊNCIA SEM PRESSUPOSTOS

Ao nos debruçarmos sobre o modelo educacional vigente, temos alguns alertas importantes a serem considerados por todos aqueles que ainda são capazes de enxergar. Acabamos entrando na máquina maluca criada por nós mesmos que nos aliena fazendo apenas com que repliquemos o que está sendo proposto.

Bem, você deve estar achando estranho este meu texto, mas na verdade em primeiro lugar gostaria que você refletisse sobre a necessidade que temos de fugir do normal e buscar os pensadores clássicos para construirmos uma nova visão ou mesmo atualizarmos a nossa.

Um dos exemplos que reflito é sobre o atual modelo educacional. Pouco focado em construir mentes, mas obstinado em conseguir aprovação nas faculdades. Deixamos o pressuposto básico da formação do pensamento para a produtização da educação.

Em 1864, Max Weber, dentre tantos dos seus ensaios, já refletia naquele momento sobre o perigo que corríamos ao permitir que o mercado transformasse a educação e, por consequência, o professor à redução sem sentido de mais um produto.

Acredito sinceramente que se Max Weber ainda fosse vivo e presenciasse o que fizemos da educação, tenho certeza de que sua voz crítica tomaria tons apocalípticos.  Pensar em uma ciência sem pressupostos de mercado não quer dizer estar longe da iniciativa privada, mas sim ter o espaço da pesquisa e do ensino preservado sem as pressões apenas dos resultados financeiros.

QUANDO O PRODUTO É A ESCOLA E O PROFESSOR APENAS A FERRAMENTA, ESTAMOS BEM PRÓXIMOS DE CRIAR UMA SOCIEDADE ALIENADA

Não é simples perceber o buraco que entramos. Por um lado, todos aqueles que têm filhos ou que buscam uma boa formação, querem a todo momento o melhor. Quando falamos de educação quase sempre olhamos quem está no topo deste sistema. Por consequência, procuramos as melhores opções para o ensino dos nossos.

Ao também alimentarmos esta indústria do ensino, estamos fazendo girar a máquina da opressão e exclusão. Formar sem construir o pensamento não resolve os nossos problemas ao longo prazo. A humanidade carece de pensadores que resolvam problemas sérios relacionados ao meio ambiente, sustentabilidade e pobreza.

Qual é o compromisso real criado por alguém que apenas fez experiência na vida em busca da melhor nota? O pensamento crítico nasce da construção e do debate longe dos conteúdos programáticos.

Quando o professor é tratado apenas como uma peça deste mecanismo, criamos o sistema que destrói o pensamento por consequência a sua formação. Já sabemos que a família, instituição que por primeira ordem deveria ser a formadora do pensamento está falida.

Delegar, portanto, a escola a formação e ter o professor como apenas mais um, fragiliza a nossa visão de futuro e põe em risco a nossa própria existência.

Leia também: A ESCOLA E OS DESAFIOS QUE VIVEMOS ATUALMENTE

 A LIBERTAÇÃO NASCE DO PENSAR

Minha recomendação é recorrermos aos clássicos pensadores para refletirmos sobre como estamos vivendo. Não apenas no quesito educação e a valorização dos professores. Mas podemos ter nos clássicos um porto seguro para boa parte das dúvidas e angústias que sofremos.

Sou rotineiramente surpreendido por um pseudo novo ensinamento que nada mais é que o requentar mal-feito de um antigo clássico.

Max Weber, foi categórico que a transformação da educação em um produto teria sérias consequências, podemos comprovar tudo isso hoje. Mas sempre existe uma escolha. Assim, a libertação apenas nasce do pensar.

Quando olhamos sob outros pontos de vista as possibilidades, percebemos inclusive escolas e movimentos no qual o livre pensar e a valorização dos professores e pesquisadores são uma realidade. Como formadores que somos, podemos ser parte da libertação ou mais uma engrenagem da opressão.

Assim, a escolha mesmo em um sistema que parece apenas oprimir ainda é nossa. Mas nunca esqueça que para que algo diferente aconteça, precisamos começar a mudança no mundo que queremos hoje mesmo. 

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

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