A RAIZ DE TODO MAL

Podemos considerar a raiz de todo mal a nossa ignorância em enxergar um pouco além dos nossos olhos e crenças? Bem, o biólogo Richard Dawkins, em seu documentário que pode ser conferido aqui, mergulha no universo religioso para creditar a ele a origem de todo mal.

Mas analisando sob o prisma do bom senso, será mesmo que o ceticismo arrogante adotado pelo biólogo também pode ser considerado um exagero dogmático?

O Ceticismo é uma corrente filosófica fundada pelo filósofo grego Pirro de Élis (318-272 a.C.) caracterizada, essencialmente, por duvidar de todos os fenômenos que rodeiam o ser humano. Podemos considerar que existem dois tipos de ceticismo, o absoluto e o relativo:

Absoluto – acredita que os sentidos enganam, por esse motivo, nenhuma verdade é de fato uma verdade e nem é possível conhecê-la.

Relativo – consiste dentro do ceticismo absoluto, nega apenas em algumas partes, podemos conhecer a verdade somente a um determinado ponto.

Dogmatismo é uma corrente filosófica que se fundamenta nas verdades absolutas. Consiste em acreditar em algo, por imposição e de forma submissa, sem questionar a sua veracidade.

Richard Dawkins, dá início aos seus confrontos partindo do pressuposto que a partir da ciência ele é capaz de provar absolutamente tudo. Chega a ser instigante a forma como aborda determinados temas. Porém, logo é possível perceber que, assim como um fundamentalista religioso que acredita cegamente em suas verdades religiosas, ele também vive nos extremos fundamentalistas da própria ciência que acredita.

AS PERGUNTAS NOS UNEM E AS RESPOSTAS NOS DISTANCIAM

De certa forma, todos nós queremos respostas às questões existenciais. Nossa ânsia de responder a tudo que está a nossa volta traz à tona muitas vezes os conflitos com nossas verdades que de certa forma são tudo menos verdades absolutas.

Quando muitos de nós somos tomados pelas suas crenças começamos a querer responder tudo a partir da sua experiência de vida, assim começam os extremos. A crença extrema na ciência ou na religião, acreditando que elas podem provar tudo também pode ser considerado este um pensamento dogmático.

As perguntas nos unem, pois, afinal, elas são de certa maneira são perguntas de todos os povos, nações e etnias. Mas quando as respostas começam a ser construídas elas nos distanciam. Queremos que as respostas validem o que acreditamos.

Neste aspecto, a prática científica com seu ceticismo leva as nossas convicções a questionamentos importantes. Se não fosse o ceticismo científico, provavelmente até hoje não teríamos a luz elétrica, a vacina, milhares de remédios etc.

Por outro lado, a necessidade de explicar tudo, traz uma angústia de compreender o que não pode ser percebido. Reforça a arrogância de acreditar que o saber científico pode explicar tudo e remove da vida presente a possibilidade de viver o belo sem a necessidade de compreender tudo.

Não é possível provar o amor, mesmo assim não sou capaz de duvidar dele. Sim, é possível dizer que o amor são ondas e sinapses que ocorrem no cérebro, geradas pelo nosso mecanismo de recompensa quando fazemos algo que gostamos.

Sim, é possível dizer isso, mas como explicar o que sentimos sem você ter sentido. Simplesmente não faz lógica duvidar de tudo que não pode ser compreendido.

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A RAIZ DE TODO MAL TEM SUA RAIZ NO PRÓPRIO HUMANO

Vivemos em sociedade e dia após dia aprendemos a conviver em conjunto. Desde o processo de sedentarização começamos uma nova jornada em que o principal desafio é viver em grupo. Neste viver, continuamos sendo diferentes, mas com objetivos comuns.

Temos hoje um enorme desafio que longe de sermos céticos, apenas precisamos ser realistas. O mundo precisa que percebamos que estamos juntos em uma única casa, a nossa terra. Que busquemos não a origem do mal, mas o bem que existe em nós.

Que o bem seja o motor da maior vivência deste sentimento que a ciência não consegue provar que é o amor.

Assim, podemos enquanto espécie evoluir alguns degraus entendendo que o outro é igual a mim, que as mulheres têm o mesmo valor que os homens, que não existe uma religião melhor que a outra e que nem tudo pode ser provado, mas o que vale mesmo a pena na vida e no agora apenas pode ser sentido.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.     

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.