DEVO CONTRATAR UM BRASILEIRO OU UM PORTUGUÊS?

Quando ouvimos esta questão, sempre surge em nossa mente o porquê ainda existem dúvidas em relação a contratar um brasileiro ou um português. Sem pensar muito, respondo imediatamente que se estamos falando de atuar no mercado europeu com uma operação de Portugal, a resposta é sim, você deve contratar um português.

Mas seria simplista apenas ficarmos por aqui sem antes entender toda a questão cultural que está por trás desta minha breve resposta.

Nosso programa de internacionalização, nasce do que chamamos de os nove pilares de inovação. Eles por sua vez são fundamentados em aspectos culturais, ligados diretamente a questões comportamentais.

Nasce assim, os nossos programas de internacionalização que fase após fase, levam as empresas brasileiras a iniciarem suas operações dentro de um escopo com a maior aderência possível ao ecossistema empreendedor português.

MAS, AFINAL, POR QUE PORTUGAL?

Contratar um brasileiro ou um português ajuda a entender o porquê escolhemos Portugal para ser a porta de entrada das empresas brasileiras para o mundo. Posso ajustar a minha afirmação escrevendo que quem na verdade nos escolheu foi Portugal.

Nossa base histórica está diretamente ligada a este país e por mais que possamos achar que estamos distantes, estamos na verdade muito próximos. Somos parecidos em muitas coisas e em outras absurdamente diferentes.

Nosso estudo de inovação apontou a aderência de sete dos nove pontos que ele se dedica a estudar. Portugal, portanto, é a nação do mundo que mais oferece condições de uma empresa brasileira ter sucesso no exterior.

Se somos culturalmente parecidos, temos também aspectos que nos distanciam e por isso faz todo sentido, deixando claro que estou falando aqui de uma operação que pretende atuar de Portugal para os demais países da Europa e por consequência atender o mundo, a contratação de um português para ser nesses primeiros momentos sua porta de entrada.

Recentemente, escrevi um artigo sobre como Portugal está de braços abertos aos brasileiros que lá querem empreender, se este ponto faz sentido para você, vale a pena ler este artigo. Clique aqui.

CONTRATAR UM BRASILEIRO OU UM PORTUGUÊS:  A DIFERENÇA DA LÍNGUA

Acreditamos que uma das maiores diferenças que temos, é que pode ser a diferença entre o sucesso ou o fracasso dessa operação que reside em nossa maneira de falar. Falamos dos dois países de língua portuguesa. Mas iguais entre elas têm apenas a raiz de origem, o restante é bem diferente em suas expressões e sentidos.

O português é literal em suas ações e na forma de utilizarem a língua. Nós, recheamos nossa fala, escrito e gestos de múltiplos sentidos o que causa a eles confusão e com certa frequência reações nervosas e impacientes.

Há pouco mais de um ano atrás, tive algumas reuniões com um empresário português que está no Brasil há mais de vinte anos, ele contava sua história por aqui. Em certo momento, ele afirmou que passou dez dos vinte anos achando que entendia o que os brasileiros diziam.

Nos outros dez anos ele aprendeu que não entendia nada e passou a se esforçar para entender, afinal, o negócio dele no Brasil dependia de relacionamentos e com sua forma literal de entender tudo e se expressar, mas fechava portas do que abria.

Como você acabou de ver, se para um português que no Brasil tenta fazer negócios a língua é um grande desafio imagine para nós em solos portugueses.

Leia também: DO CAOS AO RECOMEÇO: PORTUGAL COMO UMA NOVA OPORTUNIDADE DE VIDA

SIM, DEVO CONTRATAR UM PORTUGUES PARA INICIAR MINHAS OPERAÇÕES

São muitas as vantagens de começar esta operação em Portugal com um português sendo apresentado ao mercado. Seja no departamento comercial ou mesmo na linha de gestão, torna-se mais fácil ter uma pessoa local à frente neste primeiro momento.

Claro que não estou dizendo que você pode apenas contratar alguém local e do Brasil tocar seus negócios. Já escrevi sobre isso, mas vale a pena repetir. Uma operação para dar certo em Portugal precisa que um dos sócios esteja presente localmente.

O que estamos aqui reforçando para você, é que minimizamos exponencialmente as dificuldades com alguém local prospectando, falando e negociando por nós. Nas fases seguintes, a presença local auxilia na concretização.

Contratar um português não é fazer algo em detrimento aos brasileiros que lá estão. É apenas uma necessidade inicial até que esteja sendo dominado por completo os aspectos culturais que devem ao máximo ser levados a sério. Agora ficou mais nítido a minha resposta para a pergunta “Contratar um brasileiro ou um português?”

Para as demais funções, com certeza você pode contratar brasileiros e começar sua grande jornada rumo ao mundo.

Tenho certeza de que fez sentido para você este artigo. Caso queira falar mais sobre como podemos ajudá-lo, basta clicar aqui e agendar um momento conosco.

Forte abraço.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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