O EMPIRISMO DE BACON E A FILOSOFIA RACIONALISTA DE DESCARTES

Quando falamos em Empirismo e Racionalismo estamos diante de duas concepções filosóficas opostas. Elas buscam resolver os problemas levantados sobre a origem das ideias.

Será que as ideias nascem em nós ou adquirimos as ideias ao longo de nossas vidas? O empirismo se desenvolveu principalmente na Inglaterra, a partir do século XVII e de forma geral sustenta a crença de que nossas ideias são consequências de nossas experiências, ou seja, só podemos conhecer algo mediante os nossos sentidos.

Para os empiristas, a consciência não retira seu conteúdo da razão, mas exclusivamente da experiência. No nascimento, o espírito humano está vazio de conteúdo, ou seja, uma “tábula rasa” como dizia Locke, uma folha em branco sobre a qual a experiência irá escrever.

Chama-se de racionalismo o ponto de vista que enxerga na razão a principal fonte do conhecimento humano. Desta forma, um conhecimento só terá fundamento se for necessário e tiver validade universal. Por exemplo, temos o juízo “o todo é maior que a parte” ou “todos os corpos são extensos”.

Nos dois casos percebemos por meio da razão que deve ser assim e que a razão estaria se contradizendo se dissesse o contrário, deste modo esses juízos possuem a necessidade lógica e validade universal.

OS OPOSTOS, BACON E DESCARTES

Bacon e Descartes preocuparam-se com as causas e as maneiras pelas quais as pessoas incorrem no erro. Descartes elaborou o método de análise conhecido como dúvida metódica, Bacon elaborou a teoria crítica dos ídolos. Além do empirismo, Bacon afirmava que para se conseguir o conhecimento correto da natureza e descobrir os meios de torná-lo eficaz seria necessário ao investigador libertar-se daquilo que ele chama “Ídolos” ou engodos que levam as noções falsas.

ESTES SÃO OS ÍDOLOS PARA BACON

Ídolos da Tribo: São vícios ou erros próprios da natureza humana;

Ídolos da Caverna: São erros e atitudes referentes às individualidades, não à natureza humana; trata-se de diferenças individuais de habilidade e capacidade;

Ídolos do Fórum: São erros referentes ao uso da linguagem, sua manipulação e interpretação;

Ídolos do Teatro: São as opiniões adquiridas a partir das afirmações das autoridades (o sentido aqui é o da propaganda ou pessoas famosas sejam elas do mundo político, científico, esportivo, artístico, etc.

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DESCARTES: O ERRO NASCE DAS ATITUDES INFANTIS

Para Descartes, a origem dos nossos erros estava em duas atitudes, que chamou de infantis.

São elas:

 A prevenção: Nós temos a facilidade de nos deixarmos levar pelas opiniões e ideias dos outros, sem verificar se são verdadeiras.

A precipitação: A facilidade e a velocidade com que fazemos juízos, sem antes verificarmos se é ou não verdadeiro. São opiniões que emitimos a partir da nossa vontade ou nossos conceitos.

A dúvida metódica: O filósofo inicia este caminho a partir da dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que puder ser provado, ou seja, é preciso duvidar para chegar à certeza das coisas.

O método: Para trilhar o caminho da busca da verdade sobre o que se quer saber, é necessário iniciar um caminho, uma ordem, o que Descartes denomina como Método.

Evidência: Não admitir “nenhuma coisa como verdadeira se não a reconheço evidentemente como tal”. Em outras palavras, evitar toda “precipitação” e toda “prevenção” (preconceitos) e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto.

Divisão: “Dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis”.

Sintetização: “Concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para, aos poucos, ascender, como que por meio de degraus aos mais complexos”.

Enumeração: Todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Desta forma, Bacon e Descartes preocuparam-se com as causas e as maneiras pelas quais as pessoas incorrem no erro. Bacon elaborou a teoria crítica dos ídolos, e para Descartes por sua vez, para trilhar o caminho da busca da verdade sobre o que se quer saber, é necessário iniciar um caminho, uma ordem, o que Descartes denomina como Método.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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