O ROMPIMENTO COM A FILOSOFIA CARTESIANA

O pensamento de Descartes deixou marcas importantes para o desenvolvimento de novas filosofias, sobretudo, por parte dos racionalistas.

A filosofia de Descartes influenciou Malebranche, sobretudo, pela questão do corpo e da alma, dando uma nova perspectiva ao tema, opondo-se a algumas considerações feitas por Descartes.

Se Pascal apostava num “Deus dos cristãos” contraposto ao Deus dos filósofos, Malebranche radicaliza as posições e unifica às duas visões de Deus numa só. A razão é Deus, e Deus é racional.

Sua investigação segue do simples ao complexo, numa cadeia de razões, porque a ordem e a medida são também o modo que Deus utilizou para criar o mundo. Neste sentido, Malebranche tentou uma fusão entre a filosofia cartesiana e o neoplatonismo agostiniano, apresentando assim uma das formulações mais consistentes do “ocasionalismo”.

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O ROMPIMENTO DE MALEBRANCHE

O problema se dá, respectivamente, na terceira meditação das meditações metafísicas, quando seu autor atribui a uma mesma ideia duas dimensões constitutivas.

A ideia como modificação do espírito e como conteúdo representativo. A ideia é definida por Descartes como imagem das coisas, referindo-se aos diversos conteúdos presentes na consciência, bem como modificação, ou forma do pensamento, não possuindo diferença com os outros modos de pensar.

Para fazer a distinção entre às duas dimensões de uma mesma ideia, Descartes utiliza o conceito de realidade formal, em que a ideia é concebida somente como uma modificação da alma, e o conceito de realidade objetiva, quando se entende que cada ideia representa conteúdos específicos na consciência, distintos das demais.

Segundo o filósofo Nicolas Malebranche, em sua obra A busca da Verdade, essa tese de Descartes em conceber uma mesma ideia como uma noção de modalidade representativa poderia nos levar ao argumento cético que afirma ser possível passar do modo subjetivo à realidade supondo que a ideia represente de fato as coisas.

Para Malebranche, se as ideias fossem apenas percepções representativas, não haveríamos de saber que as coisas representadas correspondem a essas ideias, visto que Deus não concebe nem age conforme as percepções particulares de suas criaturas.

De acordo com este pensador, Deus criou o mundo a partir do modelo eterno que Ele encontra em sua natureza. Assim, o problema de Descartes foi o de não entender que o princípio primeiro de sua filosofia, o que confere às coisas aquilo que está contido clara e distintamente em sua ideia, apenas pode ser dado como verdade se considerarmos que as nossas ideias são imutáveis, necessárias e divinas.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.