DO FILME A ONDA AOS MOVIMENTOS NA EDUCAÇÃO

Para Durkheim, a educação pode ser compreendida como o conjunto de ações exercidas das gerações adultas sobre as que ainda não alcançaram o estatuto de maturidade para a vida social. Partindo desta orientação, elabora sua teoria da educação, propondo uma socialização metódica das gerações novas.

Definir educação é explicar a natureza específica da influência da geração de adultos sobre a geração de jovens e crianças. Segundo Durkheim, “Educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social.”

Partindo destes pontos estabelecidos por Durkheim, está aqui proposto a análise do filme A Onda e a sua conexão com a teoria por ele proposta.

O FILME A ONDA

Rainer é um professor a quem foi designada a tarefa de instruir seus estudantes de Ensino Médio sobre o Estado Autocrático durante uma sessão às lições longas. Um professor favorito entre as crianças, Rainer decide deixar seus alunos desenvolverem o assunto e pede a eles que construam sua própria autocracia. No entanto, quando as crianças formam um Estado-nação similar com o da Alemanha nazista, os professores não sabem o que fazer.

O filme se passa em uma escola na Alemanha e mais especificamente com alunos jovens do segundo ano médio. A ambientação exposta se passa na dimensão de um professor que ministrando aulas de autocracia sugere ao grupo de alunos a partir do questionamento que na Alemanha não mais poderia surgir uma ditadura ou movimento radical alguns exercícios práticos.

Logo no início da atividade, a definição do líder do movimento já evidenciou o quanto o grupo de alunos tinham no professor sua idealização de liderança. Quase que por unanimidade o professor foi definido como líder do movimento que naquela semana eles viveriam.

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A ONDA, O PERIGOSO MOVIMENTO RADICAL

Criação do nome, “A onda”, ações, características (todas de camisas brancas) e cumprimento começavam a criar a diferenciação destes alunos dos demais. Importante salientar a influência do professor no contexto de criação do movimento.

Assim como Durkheim preconizava, não se pode fazer o que quiser em sala de aula. Os professores têm influência enorme na construção do caráter e na formação da personalidade dos alunos.

A Onda cresceu e com seus fundamentos de um grupo “escolhido” começou a deixar naquela semana suas marcas pela cidade ao ponto de seu símbolo, uma onda estar estampado em todos os lugares. Da sugestão do professor a sua energia e determinação seu grau de influência foi enorme.

Mesmo sem querer este extremismo, o professor manteve firme a decisão dele. Eis aqui um dos maiores problemas, jamais sabemos como cada um de nós reage às informações que recebemos.

Um aluno em especial, levou as orientações do professor como lei, chegando ao ponto de querer ser seu segurança. O movimento cresceu e seu extremismo também. Já demonstrando linhas claras e radicalismo, em um jogo da escola o grupo da Onda iniciou por se achar especial ações violentas contra aqueles que não faziam parte deles.

Quando enfim o professor caiu em si do monstro que havia criado, mesmo sem querer, tentou de forma descontrolada colocar todos os alunos em uma sala e encerrar o movimento da Onda. Eis que os radicais já haviam sido gerados e com não mais que cinco dias já se podia ver em seus olhos a ira do Leviatã.

Fazendo um exercício para demonstrar aos alunos o perigo do tradicionalismo, o professor frente a todos ali presentes foi surpreendido quando enfim ficou claro o fim do movimento pelo mais radical dos alunos em posse de uma arma.

DO RADICALISMO AO FIM DE MUITOS SONHOS

Com objetivo de conter o fim da Onda, atirou em um dos amigos e completamente transtornado pois, afinal, se sentia traído, atentou contra a própria vida e se matou.

Quando não pensamos nos desdobramentos dos nossos atos, nossas ações podem ser armas. O ensino deve estar como uma ferramenta para abrir mentes e não fomentar ideologias ou conceitos escolhidos a dedo.

Durkheim em sua metodologia enfatiza a importância de estar atento a um ensino que faça sentido ao tempo presente. Ter consciência de que forjamos as mentes em salas de aula e da influência do professor.

No filme a Onda, um simples exercício de trabalho externou o radicalismo de um grupo tendo um líder que não compreendia a extensão das suas ações. Tendo consciência do que somos podemos transformar o meio, sendo omissões quanto a nossa influência, podemos fomentar o ódio.

Vale a pena assistir novamente o filme: 

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

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