EDUCAÇÃO E FEDERALISMO NO BRASIL

Compreender as mazelas da educação no Brasil e nosso atraso histórico não é um ato de exegese, mas sim um desvelar das dificuldades históricas pelas quais sofremos e sentenciamos nosso povo a uma eterna ignorância.

Seria simplista dizer que apenas o nosso modelo de organização dos estados é por si só o responsável por todo este atraso, mas ele ajuda de maneira inequívoca a perpetuá-lo.

Em sua obra Pedagogia Histórico Crítica, Dermeval Saviani, traz um relato histórico dos desafios que temos. Começando por ser um dos últimos países do mundo em ter um plano estruturado e uma política educacional nacional aos desmandos rotineiros de governos provisórios que sentenciam políticas com o prazo de vida de cada mandato.

Somos um país que atualmente investe-se mal os poucos recursos que são disponibilizados a esta área, sendo privilegiado uma formação universitária em detrimento da formação de base onde conseguimos a loucura de manter universidades públicas que apenas estudam filhos de uma elite.

Leia também: UMA LEITURA DA OBRA “PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA, PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES”, DE DERMEVAL SAVIANI

A CENTRALIZAÇÃO DE RECURSOS NO GOVERNO FEDERAL FRAGILIZA A FEDERAÇÃO

Somos uma federação de 28 estados em que boa parte dos recursos acabam sendo direcionados por força das leis para o governo federal.

Tendo ele os recursos em suas mãos, inicia-se um jogo de interesses dos estados e uma guerra deflagrada por recursos, ganha mais quem cede mais.

Longe dos princípios republicanos o que assistimos ano a ano é de maneira perniciosa os estados e municípios, esses sim, são grandes responsáveis pela formação de base viverem de recursos ínfimos e dependentes de verbas de deputados que minam a possibilidade de políticos de longo prazo.

A competição dos estados e municípios por recursos inflam números de acesso à educação privilegiando a quantidade em detrimento da qualidade.

Embora o acesso pareça ser abrangente, estamos em rankings mundiais sempre muito perto das últimas colocações em avaliação de conhecimento.

Nosso modelo atual, tende a incluir sem ensinar. Formamos analfabetos funcionais em uma velocidade impressionante condenando assim as gerações à ignorância.

OS DESAFIOS SÃO ENORMES: MAS PODEMOS AVANÇAR DANDO O PRIMEIRO PASSO

O primeiro passo é consolidar os próprios movimentos e leis já existentes. Não adianta apenas mais recursos sem que eles evidentemente sejam utilizados com sabedoria.

Definir com clareza as instâncias de atuação do governo federal, estados e municípios é fundamental para que eles não concorram entre si, mas sim sejam articulados. Em muitos casos, as três instâncias de governo em uma mesma região fazem ações similares.

Precisamos urgentemente ter um plano nacional de ações na educação para que os recursos sejam inteligentemente investidos.

Outro ponto importante é assegurar que a União participe dos investimentos em educação básica. Precisamos concentrar esforços na formação de base. Ela sim dará condições para que mais pessoas cheguem ao ensino superior.

A existência de poderes, instâncias e órgãos que se sobrepõem também causam mais confusão do que organização. É costumeira a sensação de que uma secretaria de ensino de um município exerce mais poder do que o Ministério da Educação.

A reflexão que fica é que estamos deixando o mais importante que são os alunos e o ensino de lado justamente porque reinam em diversas instâncias da educação ideologias que pouco ou nada contribuem para o objetivo final.

Lembro que em meu trabalho de estágio nesta mesma universidade, fiquei extremamente perplexo ao estudar o Projeto Político Pedagógico de uma cidade do ABC Paulista quando ao me deparar com tamanha beleza como “projeto” quase nada era de fato implementado por esbarrar nas burocracias ideológicas.

Infelizmente hoje no Brasil o normal é a ignorância. Como dizia o sábio cientista Carl Sagan (1934 – 1996), em sua obra Um Mundo Assombrado por Demônios, “A onde reina a ignorância, reina o Demônio”. 

AUTORES:

BENÍCIO FILHO

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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