PERMITO SENTIR AS MINHAS EMOÇÕES E DEMONSTRÁ-LAS?

Vamos falar sobre emoções? Crescemos em ambientes onde tudo nos levou ou ainda nos leva a querer o topo. Seja em nossas carreiras, nas escolas que frequentamos ou mesmo na busca pela felicidade pessoal, sempre nos é apresentado o caminho para o topo.

Sendo seres relacionais que somos, nossas vidas estão basicamente inter-relacionadas com todos à nossa volta. Como então viver dentro deste turbilhão de pressão e ainda por cima não poder demonstrar nossos sentimentos?

Bem, caro amigo leitor convido, você a refletir comigo as dores e pesos que carregamos por simplesmente termos sido ensinados que demonstrar nossos sentimentos e emoções é sinal de fraqueza e para ser alguém no mundo, devemos ser fortes.

Quando ouço a frase proferida por algum pai ou mãe autoritário de plantão ao seu filho pequeno, PARE DE CHORAR AGORA! Confesso que congelo como um iceberg. Tal costume tão comum de ser dito às crianças apenas começa a construir muros e barreiras para uma vivência de harmonia com os nossos sentimentos.

Tão ruim quanto a famosa frase homem não chora. Bem, os homens vivem em média pelo mundo quase dez anos a menos que as mulheres, acredito sinceramente que por não aprenderem a expressar seus sentimentos ou ainda serem punidos de verdade, por mais complicado que seja os homens são os mais prejudicados.

Podemos até dizer que como brasileiros que somos, temos até certa vantagem em demonstrar sentimentos. Viajando pelo mundo, cansei de encontrar culturas em que expressar sentimentos é algo quase criminoso.

O final de tanta repressão de sentimentos é o que tristemente assistimos. Países ricos com alta renda e com muito bem-estar social, vivenciam taxas de suicídio absurdamente altas. A repressão aos sentimentos criou a maior onda de suicídios da nossa história.

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DEMONSTRAR EMOÇÕES PODE SER A CURA PARA MUITOS MALES

Quando temos o hábito de colocar para fora o que sentimos, temos a possibilidade de criar um canal de vazão das pressões a que somos expostos no dia a dia. O primeiro passo para a criação deste importante hábito é ter perto de você pessoas e locais que possam ser o chamado “Porto Seguro” para este seu momento.

Dias atrás recebi em uma sessão um homem de meia idade, que logo na segunda sessão chorava aos prantos e no encontro com as emoções dele confidenciou que jamais havia chorado como estava chorando.

Suas crises pessoais eram bem relevantes, mas o fato em si não justificava o pranto. O que ocorria em nossa sessão é que pela primeira vez na vida ele havia encontrado um local no qual se sentiu seguro para chorar.

Chorar é apenas uma das formas de demonstrar o que sentimos. Quantas vezes o encontro com nossos sentimentos se dá através da arte. Aquela canção que nos faz sorrir ou mesmo chorar. A pintura para muitos liberta a alma e ainda transfere para o quadro o sentimento aprisionado dentro do coração.

Um artista famoso do expressionismo Jackson Pollock, nascido nos EUA, teve momentos de surto em que apenas na pintura era capaz de colocar tudo que sentia. Seus quadros embora de difícil compreensão representavam sua mais plena emoção.

No divã, a busca do encontro com os nossos sentimentos é uma constante em cada sessão. Como realmente viver uma vida de verdades sem que esteja presente no cotidiano as nossas expressões das emoções que vivemos?

Um novo sorriso pode nascer depois de um choro sincero, mas jamais sem um verdadeiro encontro com o que sentimos.

Por medo do julgamento, não demonstramos o que sentimos. Por medo de demonstrar fraqueza, simplesmente dizemos que somos fortes.

QUANDO DEMONSTRAMOS NOSSOS SENTIMENTOS, COMEÇAMOS A CRIAR UMA POSSIBILIDADE DE CAMINHO PARA A FELICIDADE

Fórmulas prontas simplesmente não existem, mas ouvir o que vem de dentro de você é um primeiro passo importante. Após criar o hábito de meditação podemos ouvir a nossa própria respiração. Ouvir a respiração é algo que quebra uma quantidade de barreiras mentais que não somos capazes de medir.

A questão que gira em torno da permissão que precisamos dar a nós mesmos de demonstrar o que sentimos está relacionada diretamente ao quanto queremos mesmo estar bem conosco. No que tange a tal busca da felicidade, afirmo a você, amigo leitor, que não existe mágica.

Os momentos felizes são os tornam a nossa vida feliz. Enxergar o sol de verdade ou contemplar um entardecer deveria ser regra. Somos seres relacionais, inclusive com a natureza que está gritando ao nosso lado.

Na busca por nossas emoções aprisionadas, encontramos muitas vezes uma criança acuada com medo de tudo. Muitos crescem fisicamente, mas continuam engatinhando enquanto seres relacionais.

Demonstrar nossos sentimentos não é fraqueza, mas sim fortaleza para quem entendeu o que vale a pena na vida.

Conto com você em nosso próximo encontro.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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