A FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO E A POSSIBILIDADE DE UMA FILOSOFIA LATINO-AMERICANA

No século XX, diversos países latino-americanos iniciam em suas nações um pujante movimento ligado à sua identidade local.

Peru, México, Chile, Venezuela e Brasil são exemplos de nações que fervilhavam em novas ideologias e pensamentos.

Também, no século XX apontam enormes transformações em todos os níveis como a Primeira Grande Guerra Mundial e a Revolução Russa.

A crise de 1929 e o surgimento dos regimes totalitários na Europa trazem mudanças na forma do continente se organizar, mudando inclusive as pressões sobre as nações onde os países europeus ainda tinham forte domínio.

Na metade do século XX o desenvolvimentismo econômico começa a gerar uma série de governos considerados perigosos por serem de matriz marxista e aí temos a implantação, a partir do imperialismo norte-americano, da Doutrina da Segurança Nacional e em decorrência dela, a implantação dos regimes militares.

Do endurecimento político, excluem-se vários grupos do mercado de trabalho e restringem-se às leis sociais que protegiam as classes menos favorecidas em detrimento da grande guarida que se passa a dar aos setores voltados à exportação.

A TEORIA DA DEPENDÊNCIA ESTRUTURA A FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO

A teoria da dependência do imperialismo econômico e cultural, podemos dizer, prepara o terreno para a Filosofia da Libertação. A dependência passa a ser vista nos seus mais diversos aspectos e surge uma série de intelectuais que se preocupam em entendê-la e propor espaços de saída.

O diagnóstico era apresentado a partir da crítica ao desenvolvimentismo e a modernização que estavam presentes em grande parte da intelectualidade do continente.

Nasce desta maneira como uma resposta dos países latino-americanos à Filosofia da Libertação. Ela é exatamente um esforço teórico e político que visa ao reconhecimento dos sujeitos como vítimas desse processo de exclusão.

Não apenas o reconhecimento daqueles que oprimem, mas o próprio reconhecimento ou a consciência de sua condição de vítima. A Filosofia da Libertação é uma tentativa de dar uma resposta crítica contra a Teoria da Dependência, buscando quebrar os paradigmas alienantes existentes na sociedade continental.

Ela tenta denunciar as imposições nos diferentes espaços como na economia, na relação entre sexos, nas afirmações étnicas, nas desestruturações culturais impostas pelos grandes países imperialistas.

Um dos grandes expoentes dessa Filosofia é Enrique Dussel (1985), que afirma que a ética da libertação se baseia no rompimento com a Filosofia europeia, com as determinações culturais imperialistas fugindo de um pensamento que impõe a negação da possibilidade de ser diferente.

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NO BRASIL PAULO FREIRE COM A “PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”

Na área da educação temos a “pedagogia do oprimido” em que Paulo Freire (1978), trabalha a categoria da conscientização que tem como condição básica a transformação do agente da educação de mero repetidor da história para um sujeito desta, portanto sujeito de seu existir e do existir de sua comunidade.

Para ele os elementos fundamentais para tal mudança são a consciência da realidade e a ação transformadora e isso é profundamente revolucionário.

Esta revolução se dá na inferência do homem sobre a realidade e a história. Faz crítica a educação e os sistemas educacionais que se preocupam apenas em passar conhecimentos afirmando que essa prática leva indubitavelmente à alienação.

Até a década de 1980 a Filosofia da Libertação organizou inúmeras teses e se firmou como uma filosofia própria do nosso continente e trabalhou os temas atinentes a problemas com tentativas de dar respostas que fossem úteis e ajudassem a formar o pensar efetivamente latino-americano.

A tese geral desta filosofia foi que cada pessoa deve se tornar sujeito histórico de sua própria libertação, transformando a realidade com a finalidade de efetivar a justa liberdade coletiva.

A Filosofia da Libertação buscou trabalhar todas as dimensões que envolvem o homem e sua práxis individual e social, de modo a entender a libertação constante do homem naquilo que o destrói, dando-lhes saídas para se realizar e ser feliz.

Tem por característica criticar a sociedade pensando sempre na condição do homem em sua singularidade, buscando de forma mais completa possível em todas as suas nuances particulares e dentro da organização social. Essa filosofia começou a ter várias críticas no final da década de 1980, com o neoliberalismo, quando se percebia que ela dava mostras que tinha esgotado suas possibilidades.

Ainda hoje, buscamos enquanto povos latino-americanos, buscamos nossa libertação da dependência cultural e econômica. Claro que não se pode negar os avanços atingidos.

Mas a cada novo ciclo que vivemos fica evidente o quanto a Filosofia da Libertação precisa ser resgatada e vivida em sua origem.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.