UMA FILOSOFIA LATINO-AMERICANA

Uma filosofia latino-americana apenas poderá nascer se fizermos uma tentativa verdadeira de nos desvencilharmos dos conceitos pré-existentes que em muitos casos carregam preconceitos, autoritarismos ou ainda negacionismo sobre em relação aos valores culturais únicos desta região.

Mas longe desta problematização, a América Latina é uma região do continente americano que reúne nações onde são falados, principalmente, idiomas românicos, isto é, derivados do latim.

Os idiomas que predominam nessa região são: espanhol, o português e o francês, visto que essa região foi dominada por impérios coloniais europeus espanhol e português.

O povoamento desta região remonta ao passado não muito recente e suas culturas em diferentes partes do continente evoluíram e construíram identidades próprias.

Desta maneira, povos que viviam na região do atual México, Peru e Brasil evoluíram com suas características próprias tendo desenvolvido modernas técnicas para a agricultura, criação de animais, religiosidade e ciência.

Definir esta imensa região com sua diversidade cultural apenas por uma nomenclatura é praticar um reducionismo que no mínimo ofende a toda a história destes povos.

FILOSOFIA LATINO-AMERICANA: AOS COLONIZADORES EXPLORADORES A GLÓRIA

Quem conta a história normalmente é o vencedor. E neste quesito, pouco nos debruçamos a entender o que foi realmente vivido pelos povos que aqui habitaram nossa terra.

Sufocados, dizimados, escravizados e até alvo de guerra biológica eles foram. Afinal, boa parte dos povos foram dizimados por doenças trazidas pelos europeus.

Os movimentos após o período formal de massacre para a reconstrução de uma identidade América Latina que se respeita a estes povos ainda estão em construção.

Mas fomos de certa maneira novamente, colonizados por tantos interesses que em muitos momentos é muito difícil entender, por onde devemos avançar.

Reforço que toda nossa diversidade cultural também oferece imensos desafios quando pensamos em uma identidade. Muitas nações ao longo dos anos cederam a exploradores e continuam cedendo por não enxergarem possibilidades diferentes.

Os muitos movimentos que forjaram uma tentativa de identidade, muitos dos quais até poderiam ser qualificados como revolucionários foram minados ou interrompidos, pois libertar a América Latina é de certa maneira perder uma importante fonte de recursos.

Ainda hoje, sofremos com a exploração de recursos, vidas, energia e almas. Não é uma discussão fugaz pensar em quantas vidas ainda são eliminadas em função de vivermos em um continente que reina a lei do mais forte.

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O IMPERIALISMO APENAS MUDOU DE MÃOS

Lembro em minha adolescência como a cultura americana era o ideal mágico a ser alcançado. Levei muitos anos e estudei muito para entender que o tal sonho americano é uma ilusão.

Mas em meus muitos momentos de reflexão, surgiram pensamentos que deixaram claro o quanto a dominação cultural e econômica americana ofusca nossos valores regionais e cria uma falsa ilusão de que não temos cultura.

É interessante perceber que nos EUA é ensinado aos alunos que nossa região não tem uma definição cultural. E que em sua grande maioria os países latino-americanos são rudes e precisam da cultura americana para serem educados.

Sofremos outra forma de opressão cultural atualmente. No passado foram valores europeus que em muitas ações subjugaram povos, escravizaram e doutrinaram.

Hoje, seja pelos filmes, alimentos, produtos e modo de vida, criamos em muitas nações latino-americanos a falsa ilusão de que o ideal americano é o sonho a ser perseguido.

Nossa libertação enquanto região passa por assumirmos nossa cultura, valores e identidade. Assumir uma filosofia latino-americana é basilar em um processo em que nossas origens devem ser respeitadas, ouvidas e proclamadas.

Apenas veremos raiar no horizonte uma verdadeira filosofia latino-americana quando enquanto cidadãos latino-americanos assumirmos nossa posição de pensadores.

Afirmar haver uma tradição de pensamento autenticamente latino-americano e o caminho mais promissor é o da indagação recuperadora da história e de modo especial da história das ideias da América.

O caminho é discutir sobre nosso ser e nossa realidade, não apenas pelo mero refletir, mas para mudar; colaborar no processo de superação do subdesenvolvimento e dependência; a autenticidade será a que, por sua reflexão crítica, contribua para tornar claro e transformar a circunstância onde brota.

É urgente aprofundarmos a discussão sobre uma autêntica filosofia latino-americana que representa nossas culturas, pensamentos e visão de mundo.

Nossas raízes não mais podem ser esquecidas e como filósofos, temos esta responsabilidade em nossas mãos. 

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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