IDADE MÉDIA: PODEMOS CHAMÁ-LA DE IDADE DAS TREVAS OU IDADE DAS LUZES?

Quando falamos de idade média, vem a nossa mente o relato aprendido em sala de aula no qual a única linha ali explicitada e decorada, era que neste período a Igreja dominava o saber e através do seu poder governa os rincões do mundo.

Quem se opunha a este domínio invariavelmente era queimado, excomungado ou renegado à morte. Claro, que existe o fato histórico inegável do abuso do poder da única instituição que se manteve de pé depois da queda do império romano protagonizada pelas invasões bárbaras.

Mas adentrando as reflexões pertinentes de quem deseja ir além da segunda página dos acontecimentos, houve muito desenvolvimento do conhecimento bem como da produção científica.

Apenas para deixar aqui registrado o relógio mecânico e os óculos são frutos deste desenvolvimento. Em mosteiros também aconteciam produções científicas capazes de fomentar inovações e reflexões sobre o momento do mundo vivido.

Quero, no entanto, relatar quatro grandes pontos que ajudam você a compreender por que a Idade Média deveria ser chamada de Idade das Luzes e não Idade das Trevas.

AMOR À BELEZA

A Idade Média teve vários estilos artísticos e foi forte impulsionadora da beleza. Santo Agostinho em uma das suas obras relata que “Deus tudo havia feito com número, peso e medida”, segundo ele, as demonstrações de Deus são visíveis ao vermos o Belo.

A criação era vista também como uma bela polifonia, onde todas as criaturas cantavam, em suas distintas vozes, a Glória de Deus.

A beleza das igrejas românicas e góticas ainda hoje nos impressiona pela monumentalidade e doce harmonia da unidade de suas formas. Mesmo em suas épocas de maior dificuldade, o período medieval produziu obras artísticas de incrível sensibilidade e beleza.

IDADE MÉDIA: DINAMISMO

O dinamismo acredito eu ser o que define a Idade Média. Nas monarquias, na política e nas artes predominavam as transformações. Das construções que visam implementar os conhecimentos descobertos aos movimentos em busca do entendimento as mudanças e novas possibilidades são marcas deste período.

Nas universidades, porém o dinamismo pode ser percebido em com sua maior força. O homem de saber medieval era um cidadão da Cristandade, deslocando-se frequentemente em busca do conhecimento e dos mestres famosos.

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INCONFORMISMO

Os propagados abusos do clero, recebiam na época críticas de homens da igreja mais ácidas do que de muitos reformadores protestantes. O monge beneditino Pedro Damião, condenava em cartas os abusos cometidos pela Igreja.

Catarina de Siena, criticava os vícios da cúria pontifícia e a relutância do Papa Gregório XI em reformar a Igreja. Em uma farta literatura é possível ver os inúmeros documentos que indicavam a necessidade dos reis de manterem a consciência moral e a ética.

Os vícios do poder eram apontados como os grandes males da pobreza e da situação do povo.

A “IDADE DA LUZ”

É importante que ao refutamos o mito da Idade das Trevas, não cultivemos uma mentalidade arqueologista e romântica como a dos criadores da arte neogótica, que viam na Idade Média a perfeição cristã, tratando tudo o que a antecederam como mera preparação e tudo o que a sucederá, lamentável decadência.

A Idade Média foi um período com qualidades e defeitos como os demais. O que a diferencia de outros tempos é uma maior influência que os valores cristãos exerceram sobre o âmbito social e institucional, tendo isso contribuído para muitas melhorias, embora não fosse possível, naturalmente, erradicar todos os males nesse campo onde joio e trigo se misturam até que chegue à colheita.

É bom sempre termos diante de nossas consciências que a melhor época que há é aquela na qual estamos inseridos, pois foi aquela na qual Deus nos colocou é aquela na qual temos a capacidade de trabalhar por mudanças e melhorias. Essas melhorias não nascem de grandes ações, mas sim de nossa conduta diária, que pode fazer a diferença.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.     

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