A PRÁTICA DO DEVER EXIGE A LIBERDADE EM KANT

Para Kant, a liberdade é a autonomia de cumprir seu dever conforme as Leis da Natureza. Dessa forma, somos donos de nós mesmos e de nossas ações.

Nesse sentido, Kant caracteriza a ideia transcendental da liberdade como uma espontaneidade capaz de dar início a uma série de eventos que se desenrola na natureza.  A liberdade da vontade não tem outro princípio senão o de agir segundo a máxima de ter a si mesma por objeto como lei universal.

A liberdade em Kant, deve ser entendida, pela faculdade de adequação às leis que a nossa razão dá a nós mesmos; por “liberdade jurídica”, a faculdade de agir segundo no mundo externo, não sendo impedidos pela liberdade igual dos demais seres humanos, livres como eu, interna e externamente.

O dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei. E uma ação por dever elimina todas as inclinações (todo o objeto da vontade), portanto, só resta à vontade obedecer à lei prática (baseada na máxima universal), pois se trata de um princípio que está ligado à vontade.

Podemos ainda dizer que para ele o livre-arbítrio é aquele que pode ser determinado pela razão pura, diferentemente daquele arbítrio que não é determinável a não ser por inclinação, por estímulo, ao qual o autor denomina arbítrio animal (arbitrium brutum).

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UMA SOCIEDADE CONTROLADA PODE PERMITIR A LIBERDADE?

Em uma sociedade em que todos os passos são vigiados, controlados e monitorados é possível viver a liberdade preconizada por Kant?

É evidente que enquanto seres com consciência jamais poderemos ser aprisionados enquanto nossas faculdades mentais forem libertas. Bem que já se pode questionar este ponto tendo como partida os medicamentos em excesso que temos consumido.

Mas, evidentemente partindo das reflexões de Kant, podemos aprofundar esta discussão tendo duas obras cinematográficas como referências, são elas:

Na primeira obra, “Doador de Memórias”, a criação do chamado mundo perfeito parte do pressuposto de que o ser humano não pode sentir emoções. O controle das emoções por drogas diárias em uma sociedade em que tudo é controlado mostra a utopia do monitoramento.

Tecnologia a serviço do controle, elimina os bebês que não estão diante dos padrões de pureza. Este filme nos faz lembrar da raça ariana idealizada por Adolf Hitler.

Apenas uma pessoa detém as memórias de um passado em que havia diversidade de vida e de emoções. Ao passo que um novo doador de memórias começa seu treinamento e reage às emoções rompendo com os controles, inicia-se uma nova fase.

Como continuar vivendo sem sentir o Amor? Dor? Ou alegria?

Deste rompimento, novas oportunidades surgem, criando uma possibilidade de viver a Liberdade.

Na obra “1984” do famoso livro de George Orwell, o estado controlador nos remete de várias formas ao que já vimos em nosso mundo atual. Em O Doador de Memórias, percebemos a utopia, mas em “1984” já podemos perceber a realidade do que vivemos.

Controles, monitoramentos, multas e leis. O que mais pode nos controlar? Bem, já somos controlados pelo mercado financeiro e medicamentos. A internet também com a exposição dos nossos dados e as redes sociais representam o que gosto de chamar da nova Caverna de Platão.

Se para Kant a Liberdade é o agir humano em relação às leis da natureza, podemos dizer que estamos cada vez mais distantes deste conceito e vivência. 

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.     

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.