ENTRE LOBISOMENS E OUTRAS AVENTURAS

Certo dia, meio que sem querer comecei a pensar o porquê ficar sem viver algo apenas pela sensação de que isso pode ser algo ruim. Claro, não estou dizendo que se deve experimentar algo sabidamente mal pelo simples fato de se experimentar algo.

Mas é incrível como nos negamos a conhecer algo pelo que os outros nos contam ou mesmo pelo nosso medo de viver o que não controlamos.

Acredite, eu terei umas mil histórias para relatar sobre o que é viver algo que mesmo sem ter quase nenhuma segurança, eu apenas tive coragem de dizer sim.

Olha que sou uma pessoa que você pode confiar em relação a andar nos bons caminhos da vida. Lembro como se fosse ontem quando ainda era bem jovem e para o seminário eu diria que iria e realmente caminhava para isso ou quando eu representava o bom caminho para os pais dos meus amigos.

Mas mesmo naquele tempo tomando o devido cuidado e tendo uma grande sensação de juízo, eu nunca fazia algo que colocava em risco os meus amigos e eu.

Isso não mudou ao longo do tempo, mas minha percepção em relação às oportunidades da vida e a viver uma vida bem vivida, essa sim, os anos que se passaram me ajudaram a construir uma visão e experiência bem mais sábia.

O KOBRA QUE O DIGA SOBRE MINHAS AVENTURAS

Para dar um exemplo do que estou dizendo, dias atrás, após fazer um trabalho proposto em meu curso de Filosofia sobre a influência da arte na educação, acabei aprofundando meu conhecimento em relação ao artista brasileiro Kobra.

Fiquei literalmente apaixonado pela espiritualidade deste incrível artista. Em minha opinião um dos melhores em atividade no Brasil.

Estudei suas obras e fui percorrendo a cidade de São Paulo em busca de encontrá-las. A cada obra encontrada uma nova experiência do belo e da leveza com sérias críticas e intensa força.

Se existe coragem neste mundo ela está expressa nas obras do Kobra.

Kobra

A pergunta que faço é:

Quantos de nós temos realmente a coragem de gritar ao mundo (no caso do Kobra, ele cria obra do que acredita e expõe ao mundo) o que pensamos, acreditamos e sentimos?

Essa sempre foi uma coragem minha. Nunca a troco de nada deixei de ser quem sou. Não que isso tenha sido fácil, pelo contrário. Todos os nomes que você pode imaginar eu já fui chamado e talvez o mais belo deles tenha sido maluco.

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MAS AFINAL, CADÊ O LOBISOMEM DESTE TEXTO?

Destas minhas aventuras, muitas são as histórias que gostaria de relatar e quem sabe um dia destes escrevo um livro contando algumas delas.

Quando meus filhos não estão comigo nos finais de semana, aproveito para percorrer alguns lugares e conhecê-los com mais profundidade, o que se torna bem complicado visto que eles têm, com todo direito, outros interesses e eu quero mesmo é estar com eles.

Em um destes finais de semana, retornei à cidade de São Roque com um só objetivo. Percorrer a estrada do vinho e tomar todas as degustações possíveis.

Bem, dirigir assim não seria possível e fiz o mais prudente possível. Reservei um chalé em uma plataforma e lá fui eu.

Quando reservei, o único cuidado que tomei foi ver se tinha uma bela natureza no local e ler as recomendações. Reserva feita lá fui eu!

Muito vinho e boa comida é algo sempre presente neste roteiro. Sou apreciador de vinho e conheço este pedaço de São Paulo há mais de vinte anos, garanto a você que de vinhos impossíveis de tomar hoje alguns até podem ser considerados interessantes.

Ao final do dia, lá fui eu conhecer minha pousada.

Ao chegar, bem, esse é um dos pontos altos. Que local remoto de tudo. Sem sinal celular, sem internet rápida, sem quase ninguém, mas com muita história a ser descoberta.

A fazenda que acolhia cerca de dez chalés guardava a história de três gerações de uma família bastante influente na vida pública brasileira.

EU NÃO ESTOU ENROLANDO VOCÊ ACREDITE

Esta foto, que tenho certeza de que chamou sua atenção, deve ter sido dos filhos do patriarca com a mais do rebanho.

Ela estava em um dos casarões que ainda resistem ao tempo na propriedade. Este por sinal seria o local onde muita coisa faria sentido.

Na casa, ainda bem conservada, repousava quase tudo o que a mais de oitenta anos atrás realmente reluzia vida.

Tudo estava lá. Roupas, quartos com móveis, piano, bebidas vazias, louças e muitos, muitos quadros.

História na parede e em tudo que podia ser visto e tocado. Pelo que pude entender eram muito influentes e a propriedade hoje mal paga as contas para se manter.

Dois lagos enormes, piscina, área de camping, campo e quatro fontes lindamente adornadas ainda resistem ao tempo.

Mas, como tudo tem um “porém”, os chalés guardavam algo que jamais vou esquecer.

TENHO MEDO DO QUE ESTÁ VIVO, POIS O QUE ESTÁ MORTO MAL NENHUM FAZ

Quando chegamos enfim ao chalé, um dos quadros literalmente nos apavorou. Convido você a olhar com carinho se é que isso é possível na imagem acima.

Olha, para nossa felicidade ela não se mexeu na parede que estava, mas confesso ficamos olhando por um tempão ele e nos certificamos que não havia nada atrás deste quadro.

Por fim, muitos risos e uma pergunta, como alguém pode ter tanto mau gosto ao colocar uma obra desta em frente a uma cama.

Bem, muitas outras formas, sensações e curiosidades do local, a cada trecho percorrido do terreno ou mesmo a cada descoberta muita coisa podia ser contada.

A incrível senhora do café da manhã que há vinte anos trabalha no local contava as mais incríveis histórias e curiosidades.

Mas como disse neste último título, devemos ter medo mesmo do que está vivo!

Ao percorrer pela última vez um dos campos da propriedade tomei um susto enorme ao ser surpreendido por um enorme boi correndo atrás de mim como me afugentando daquele local.

Tive que subir uma das escadas e me esconder dele que olhava com olhos bem arregalados.

Ou ele pediu socorro, ou apenas avisa que eu já havia perguntado demais.

Bem, será mesmo que você tem coragem de viver as aventuras que são apresentadas a você?

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.