O DESPERTAR DO SAGRADO COMO BUSCA DA VERDADEIRA NATUREZA HUMANA

O despertar do Sagrado traz uma infinidade de transformações para o nosso modo de viver. Somos seres espirituais em corpos físicos, não corpos físicos dotados de alma. Tal afirmação normalmente pode ser mal compreendida, afinal, falar de espiritualidade não é simples nos dias em que vivemos.

Confundimos religião com espiritualidade justamente por que cansamos dos dogmas ou das visões impostas por este ou aquele grupo religioso. Se o conceito original da palavra religião é o religar, entende-se aqui a interface que a religião exerce de conexão do homem com o Sagrado. 

Com um crescimento intelectual nunca visto pela humanidade, muitos são os questionamentos sobre a necessidade de um interlocutor para nos conectar com o despertar do Sagrado. Fica evidente assim a redução do protagonismo dos grupos religiosos.

As minhas reflexões acima não conotam prejuízo a um movimento específico. O que reflito é que por pressão do movimento religioso, a grande maioria dos seres humanos se afastaram despertar do Sagrado. Criando assim, gerações de desconectados com a verdadeira espiritualidade.

A nossa existência não é fruto do acaso, fomos gerados em um ecossistema real. A família, meio no qual vivemos, condições naturais para nascermos, alimento para nos nutrir e belezas para alimentar a nossa alma. A nossa formação enquanto seres humanos depende dos tais serviços que utilizamos da natureza.

A água que você bebe, a comida que alimenta seu corpo, o sol que ilumina o seu dia e a lua que inspira a sua noite são elementos reais. Bem como a enormidade de seres vivos que habitam a terra seja no mar, no ar ou caminhantes pelo mundo.

O DESPERTAR DO SAGRADO E SUA RELAÇÃO COM A TERRA E O COSMO

A nossa natureza descende da mesma natureza das demais formas de vida na terra. A curva evolutiva que nos diferencia basicamente está relacionada à nossa capacidade de nos comunicar e nos relacionarmos criando conexões entre os demais da nossa espécie.

Tal evolução nos separou da luta pela sobrevivência e criou condições para a nossa supremacia enquanto grupo. Conseguimos assim, dominar todos os continentes, mas sempre com intrínseca conexão com o meio do qual vivemos.

Quando alteramos o nosso modelo de vida do nomadismo para a sedentarização começamos o processo que findaria em nosso modelo de vida atual. O surgimento da agricultura e da domesticação dos animais formam o conjunto necessário de práticas e novos costumes para o aumento expressivo das populações humanas.

Deste salto evolutivo, ao longo dos milênios talvez o mais importante tenha sido os diversos povos distintos terem reverenciado as diferentes formas da natureza como divindades. Nessa relação do homem com a natureza o respeito a sua grandeza sempre foi o pilar central.

O DESPERTAR DO SAGRADO: A EVOLUÇÃO É ALGO CONSTANTE

O processo evolutivo não para, apesar de que em alguns momentos podemos até chegar a pensar que se trata de uma involução e não uma evolução propriamente dita. Com o advento recente das novas tecnologias e não digo nos últimos anos apenas. Desde a revolução do conhecimento, o que chamamos de revolução francesa, o ser humano literalmente começou sua ruptura com o despertar do Sagrado.

Lógico, que não se trata de um movimento orquestrado ou fruto de alguma conspiração como gostam de dizer alguns dos nossos amigos humanos. O que se iniciou nesse processo foi a ruptura com a idade média. Lembre-se que justamente na idade média, mergulhada em dogmas, a humanidade viveu o seu maior período de obscurantismo e negação do conhecimento.

De um extremo a outro, saímos da prisão e começamos a questionar tudo que era ligado à espiritualidade acreditando que apenas o conhecimento poderia responder a tudo e a todos.

DEVEMOS RECONHECER A NOSSA NATUREZA

Nesta busca pelo conhecimento empírico chegamos ao vazio. Se somos todos inter-relacionados como negar nossa natureza humana? O reconhecer da nossa natureza passa por contemplar o que é simples, belo e cotidiano.

O sol que está sempre emanando sua luz, o ar que nos toca sem a nossa percepção, os sons da natureza ou da música, produzida por alguém que nutre nossos sentidos, os aromas e cheiros presentes em quase tudo que podemos interagir.

A natureza sempre está à nossa volta, mas por instantes deixamos de percebê-la. Começamos a acreditar que nascemos e crescemos dentro de estruturas construídas por humanos. O concreto passou a ser nosso lar.

Quando olhamos para o céu, enxergamos apenas aviões, nem os astros que em uma noite sempre estão presentes conseguimos ver. Na libertação que o conhecimento tecnológico promoveu entramos em uma cela sem janela chamada tecnologia.

Os aplicativos podem resolver quase tudo menos nossa conexão emocional com o outro e com o Sagrado. O resgate do despertar do Sagrado em nossa vida passa pela desconexão e em muitos casos desintoxicação das ferramentas tecnológicas presentes em exaustão no nosso cotidiano.

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O DESPERTAR DO SAGRADO PASSA PELA AÇÃO INDIVIDUAL

Os chamados mestres da suspeita, Marx, Nietzsche e Freud lançaram luzes sobre o vazio existencial em que a humanidade estava entrando. O mais interessante é que os três filósofos nem sequer chegaram a ver até onde o desenvolvimento tecnológico levou a humanidade.  

Em seus ensaios, cada um a seu modo e maneira, questionaram a crítica a razão desenvolvida antes deles na qual prevalecia o saber racional em detrimento a sabedoria do emocional e a harmonia entre o racional e o psíquico.

Os desdobramentos dos questionamentos destes mestres levaram novamente a humanidade a se confrontar com algo maior que apenas o conhecimento que ela estava acumulando.

A enorme quantidade de pessoas que começavam a desenvolver transtornos emocionais ou mesmo a tirarem suas vidas desencadeava questionamentos e reflexões do porquê de tanto sofrimento, se afinal, quase que em todas as regiões do globo a melhoria nas condições de vida evidenciava um aumento expressivo, inclusive na média do tempo de vida.

Seria realmente um exagero dizer que esse movimento que descrevo teve como origem os avanços tecnológicos. Mas o que está em questão, é que ou entendemos que não somos máquinas, mas sim seres de alma com corpos, ou continuaremos repetindo os nossos atos e a cada dia veremos a humanidade mais doente ignorando os demais seres vivos e em descompasso com a terra.

DEVEMOS NOS CONECTAR COMO UM TODO

O desenvolvimento que alcançamos pode ser Graça, mas para isso ele precisa ser o meio para que mais pessoas possam ter acesso à melhores condições e viveram bem. O começo de toda a jornada humana é o homem e a sua relação com a terra e o cosmo.

Nesta relação entre os três, nasce a trindade que compreende a nossa relação com a terra. O homem é partícipe de um todo, não seu protagonista hegemônico. Somos mais uma espécie neste planeta e para isso nossa relação com ele deve ser uma relação de gratidão e reconhecimento.

A nossa consciência e capacidade de conexão deve ser colocada a serviços dos demais seres, recuperando assim, a harmonia que perdemos. Quando nos relacionamos com a terra em uma relação de troca podemos viver em sintonia.

A exploração que desencadeamos pelo consumo desenfreado sem necessidade está exaurindo tudo e todos. Acumulamos para preencher o vazio emocional que temos. Recomeçar é preciso, mas isso é mais simples do que pensamos.

Respire, sinta o ar adentrando seu corpo, tome sol, deixando o calor dos raios solares tocarem a sua pele. Contemple as árvores como se elas ouvissem a sua voz, respeite os demais seres como se estivesse olhando para uma pessoa amada. Deixe que o dia tenha as suas 24 horas, mas que cada uma delas você perceba detalhadamente.

Acredite, a Graça está ao nosso lado, mas precisamos deixar que ela seja o centro em nossa vida. O despertar do Sagrado é intrínseco à nossa existência, mas para percebê-lo é preciso deixar de enxergar com os olhos e começar a sentir e ver com o coração.

A nova trindade não tem nada de novo, mas vivê-la é um enorme sinal de disrupção.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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