O MITO DO EMPREENDEDOR

Certa vez, ouvi uma história que para empreender basta descobrir o que se ama fazer. Desta forma, seria possível deixar de trabalhar uma vez que toda nossa existência estaria envolta justamente pelo que nos completa e realiza. Bem, nem sempre é fácil assim viver do que se ama.

Empoderar-se e empreender é assumir nosso inconformismo diante das mesmas respostas e propor novas respostas a problemas segundo nossa visão de mundo. A reflexão que convido você a fazer comigo é justamente essa. Quantas vezes o empreendedor parte para um negócio, propondo uma nova solução em relação aos problemas que vê tendo como principal argumento a sua capacidade técnica ou ainda sua história de sucesso no segmento pretendido?

O problema é ignorar que sua motivação empreendedora é apenas uma paixão cega, pois sua capacidade técnica, apesar de grande, não será suficiente para que ele realmente constitua uma empresa.

Empreender não é constituir uma empresa. Quero dizer que na grande maioria dos casos um barbeiro, por exemplo, abre uma barbearia e de tanto trabalhar vira empregado deste negócio. O mesmo acontece com aquele engenheiro que cansado de ter um chefe no pé sai do seu emprego e abre um escritório de engenharia e começa, agora sozinho, a fazer os mesmos projetos. Diferente de saber executar algo que se resume a nossa capacidade técnica, construir uma empresa vai muito além disso.

UMA VEZ DESPERTADO PARA O EMPREENDEDORISMO NÃO É POSSÍVEL CABER EM UMA CARTEIRA DE TRABALHO

Uma vez despertado para o empreendedorismo o caminho mais sensato, após definir o segmento desejado, é constituir um modelo de negócios aonde colaboradores executem com excelência justamente as tarefas que você fazia. Assim, “sobra” para você a mais essencial das tarefas, administrar seu negócio e continuar com a coragem empreendedora viva, aquela mesma que fez com que você deixasse seu emprego e abrisse este negócio.

A princípio pode parecer incoerente contratar alguém para executar algo que você ama fazer. No entanto, reside neste ponto o principal desafio entre o sucesso e o fracasso. Como disse acima a grande maioria das empresas acabam não tendo vida longa ou morrendo nos três primeiros anos em decorrência da enorme sobrecarga que o fundador acaba acumulando de trabalho tendo ele deixado de ser empreendedor e se transformado no pior dos empregados.

Sim, pior dos empregados uma vez que trabalha bem mais que as 40 horas semanais, não tem descanso nos finais de semana, não tem férias, não tem decimo terceiro e o mais complicado não tem como parar de executar o que faz. Qualquer imprevisto como uma simples gripe forte pode cessar a entrada de recursos financeiros essências para a manutenção da sua própria dignidade.

DOMINAR APENAS CONHECIMENTO TÉCNICO PODE SIGNIFICAR UMA PRISÃO

Dominar o conhecimento para o ramo pretendido não é garantia de felicidade, sucesso ou ainda perpetuação da empresa. Conhecimento, espírito empreendedor e domínio administrativo do negócio são essenciais para que sua empresa decole.  Como juntar tudo isso? A grande verdade é que dificilmente uma única pessoa reúna todas estas capacidades.Ter então um sócio que complemente suas qualidades torna-se muito importante para completar o conhecimento necessário.

Sou muito crítico das empresas que chamo de “um homem só”. Temos que ter cuidado redobrado pelo custo que pagamos em nossa vida por optarmos seguirmos sozinho uma jornada empreendedora. Em muitos casos a conta é a saúde, família e por último, a própria vida. Reunir mais pessoas em torno da sua ideia com inteligências complementares é o primeiro passo para a verdadeira constituição de uma empresa.

São as empresas que resolverão todos os problemas no mundo transformando eles, os problemas, em lucrativas oportunidades de negócios.

A grande lição, no entanto, é que não importa o tamanho da sua empresa, sua vida é e sempre será o mais importante. Nada adianta ter sucesso empresarial, chegando por fim ao topo e perceber que lá no topo, não tem mais ninguém além de você. Não é uma opção ser infeliz, estamos aqui nesta terra para sermos felizes. Até nosso próximo encontro.

Sobre o autor,

Benício Filho.

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela UNIFESP em Neurologia Oftalmológica na área de Empreendedorismo e pós graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 300 eventos (número atualizado em dezembro de 2019). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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