O QUE PODEMOS APRENDER COM INOVAÇÃO ABERTA?

Antes de falarmos sobre inovação aberta, é importante entender que a célebre situação do empreendedor que inicia uma empresa com um bom produto ou serviço e anos depois vê seus negócios caírem no fracasso com vendas muito reduzidas parece ser uma constante em muitos empreendimentos.

Nossa região do ABC, em especial, presenciou alguns ciclos de desenvolvimento em que negócios foram criados para atender determinados setores e, anos depois, com alguma mudança de rumo, incentivo ou de mercado, muitos fecharam suas portas, deixando desempregados, prejuízos e diversos problemas.

Por que tal situação ainda acontece com uma frequência assustadora? A resposta para esse fenômeno é a miopia em que empresários empreendem sem que tomem os devidos cuidados em construir negócios que estejam alinhados não apenas com demandas, mas sim com tendências do mercado e, acima de tudo, dos consumidores.

Estar atento a esses dois pontos pode ser definido com o que costumeiramente damos o nome de inovação aberta.

O QUE É INOVAÇÃO ABERTA?

Inovação aberta nasce do conceito de estar com um pé no mercado e o outro em tendências, mas é algo mais complexo do que pensamos. Empreender deveria ser a capacidade de atrair pessoas com inteligências diferentes a fim de resolver problemas comuns através de modelos de negócio sensatos.

A questão, porém, é que uma enormidade de empresas nasce de empreendedores com a capacidade técnica muito bem definida, mas muito distante das capacidades de organização comerciais e gerenciais essenciais para que essa empresa nascente seja muito mais do que a fornecedora de uma solução para um determinado público.

CULTURA DE STARTUP

Acompanho há muitos anos um movimento de inovação aberta que tem como base o que chamo de cultura de startup. Já faz algum tempo que estou nesse movimento empreendedor.

Ao longo dos dez últimos anos, ajudei a fundar alguns ecossistemas: ABC Valley (ABC Paulista), Caatinga Valley (Cajazeiras Paraíba) e Acelera Serra (Caxias do Sul). Todos esses ecossistemas têm em comum novas e inovadoras empresas com grande base tecnológica, mas não apenas de tecnologia. Parte desse movimento auxilia empresas tradicionais a modernizar seus modelos de negócios, aproveitando esse conhecimento, inovação e velocidade.

Veja também: Como entender o que é Cultura de Startup?

Veja com bastante interesse as startups, pois de forma estruturada, muitas delas realmente mudam setores ou, em alguns casos, ajudam os setores a compreender melhor as mudanças que estão ocorrendo rapidamente nos consumidores e, por consequência, em toda a cadeia de valor.

Um ponto bastante interessante dessas empresas é que inúmeras vezes elas são ignoradas por seus pares de mercado por preconceito ou mesmo ignorância. Uma startup é, acima de tudo, um modelo ágil. Quando compreendido e adaptado pode construir novas abordagens a modelos tradicionais, gerando valor e boas perspectivas em relação à construção de novos produtos ou serviços.

DUAS LINHAS EM INOVAÇÃO ABERTA

Quando nos debruçamos sobre o tema inovação aberta, podemos ter duas linhas: Aceitar que consultores ou mesmo profissionais de fora da nossa empresa tragam suas metodologias e observações ou ver o que essas empresas que, de certa forma estão no mesmo mercado que nós, estão fazendo para construir produtos e gerar valor.

Compreender esses modelos pode e afirmo isso, pois vejo com mais frequência do que você pode imaginar, literalmente construir novos mercados, gerar inovação real e ainda deixar um legado em negócios tradicionais.

Deixe de lado os pré-conceitos que cegam nossa capacidade de inovar. Procure entender onde estão tais empresas, se aproximando dos movimentos que comentei. Esteja alinhado com as mudanças, mergulhando em inovação aberta.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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