CONSTRUINDO PONTES EM SALA DE AULA

A sala de aula deve ser em sua essência um ambiente inclusivo. Neste material, esboço três possibilidades de intervenção pedagógica para alunos com deficiência auditiva.

A deficiência não deve ser vista como condição primordial que impede o desenvolvimento. É no ambiente social e não orgânico, que as condições biológicas são vistas como incapacitadoras.

A respeito deste desenvolvimento da criança com deficiência, Vygotsky formula em seus Fundamentos da Defectologia que as leis que regem o desenvolvimento tanto da criança típica ou atípica são, fundamentalmente, as mesmas, assim como as leis que governam a atividade vital são as mesmas, sejam normais ou patológicas as condições de funcionamento de qualquer órgão ou do organismo em seu conjunto (VYGOTSKY, 1993, p. 191).

Na perspectiva da Educação Inclusiva, a educação especial oferece o atendimento educacional especializado, em que o aluno dito da Educação Especial é potencializado. Suas ações devem ser integradas à proposta pedagógica da escola, principalmente, no que diz respeito ao provimento de condições de acesso, participação e aprendizagem para este aluno no ensino comum.

A aprendizagem humana é complexa, e não se limita ao simples depósito de conteúdos em sala de aula, de informações, pois o conhecimento não é linear e nem tampouco compartimentado.

O enfoque da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva está na aprendizagem, levando em consideração as muitas maneiras de aprender, as riquezas das interações com o meio e das diferentes formas de expressão.

Alguns alunos já demonstram qual é o seu estilo de aprendizagem, outros, nos desafiam a descobri-lo.

Abordo três possibilidades de intervenção pedagógica para alunos com algum grau de deficiência auditiva.

INCLUSÃO EM SALA DE AULA É UM DIREITO DE TODOS

A inclusão de surdos no ensino regular significa mais do que apenas criar vagas e proporcionar recursos materiais em sala de aula, requer uma escola e uma sociedade inclusivas, que assegurem igualdade de oportunidades a todos os alunos, contando com professores capacitados e comprometidos com a educação de todos.

Primeiramente é necessário a utilização da educação bilíngue, que torna a língua de sinais obrigatória para os educadores. É a partir desta língua que o surdo entrará em contato com o seu grupo social.

Para que o processo de inclusão seja consolidado, deve-se criar um ambiente favorável em que o aluno surdo possa desenvolver suas potencialidades. Para que o discente surdo construa o seu conhecimento em uma sala de aula inclusiva, ele deve ser estimulado a pensar e raciocinar, assim como os alunos ouvintes.

Alguns pontos devem ser considerados para que a inclusão de fato ocorra. Ter a atenção do aluno com dificuldade auditiva é essencial.

O uso correto do bilinguismo se faz necessário para que seja estabelecido o canal de comunicação e desta forma ser possível a absorção do conteúdo proposto.

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TRÊS AÇÕES QUE ACREDITO SEREM ESSENCIAIS PARA ENGAJAMENTO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Uma sala de aula padrão é um lugar barulhento. Crianças com qualquer grau de perda auditiva podem ter dificuldade para ouvir as informações importantes quando estão rodeadas por ruídos, pois eles mascaram as coisas importantes ditas e precisam ser ouvidas. Mantenha o barulho na sala o menor possível.

Ter um colega parceiro de atividades fornece ao aluno um apoio amigável e ajuda o professor a ter certeza de que o aluno com deficiência auditiva esteja engajado em todas as atividades.

Tenha certeza de que você tem a atenção do aluno. Diga o nome dele ou dela e peça a atenção da classe inteira quando for dizer algo importante.

Todos os testes, provas, eventos, trabalhos e anúncios devem ser escritos no quadro ou incluídos na agenda semanal, ou num newsletter que possa ir para a casa do aluno toda semana.

Incluir um aluno com necessidade especial não é algo que fazemos de forma excepcional, mas sim um direito. 

AUTOR:

BENÍCIO FILHO

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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