O QUE A TECNOLOGIA PROMETE PARA O FUTURO?

A pandemia acelerou uma série de tecnologias que já estavam em andamento, como o trabalho remoto, por exemplo, que já era realidade como tecnologia há duas décadas no mínimo.

O que presenciamos na pandemia é que um grande recurso tecnológico possa ser realmente usado, pois, ele não era ao menos cogitado por nós em nosso dia a dia.

Um ponto que ficou mais evidente foram as desigualdades externas entre todos nós. Diante dos desafios que temos enquanto humanidade não podemos mais tolerar a segmentação de acesso à tecnologia.

Para construirmos um mundo diferente, precisamos promover mais acesso à tecnologia para todos.

Quando olho para o futuro, vejo uma riqueza de mundos possíveis. Alguns deles assustadores e outros excitantes. Todos eles ainda estão amplamente inexplorados.

Quando olhamos as empresas, um conjunto de desafios totalmente novos emergiu. Como reagir a partir das perspectivas operacionais e de comunicação, como satisfazer as expectativas das pessoas em permanente mudança, como expandir a empatia com o advento do mundo digital?

Tudo isso enquanto lutam para sobreviver numa economia debilitada. Resiliência e agilidade têm sido colocadas à prova, com os vencedores sendo as empresas que conseguem nos reunir com a sensação de pertencimento a um lugar.

Na atual fase de transição entre a resposta à crise e o novo modelo operacional, temos a chance de examinar o impulso das mudanças diante de nós e as inovações que vimos emergir, e refletir sobre como queremos avançar.

Neste aspecto, elenco aqui sete mudanças, desafios em andamento. Veja 2021, está reformulando nossa visão da tecnologia para este século.

Confira quais são eles clicando no link a seguir: Web Summit 2021, eles estarão em evidência.

PRIMEIRA: REPENSAR O COLETIVO

Pense no trabalho a partir de casa em vez de no escritório. Compras online em vez de na loja favorita, fazer streaming de uma aula de ioga em vez de se dirigir ao seu estúdio local e observar as suas crianças enquanto elas assistem às aulas online em vez de numa sala na escola.

A pandemia alterou o modo e os locais onde trabalhamos, aprendemos, compramos e nos entretemos  e até onde vivemos. Separo este deslocamento coletivo em três categorias: lugar, atividade e comunidade.

Deslocamento de um lugar inclui a migração do trabalho no escritório para o home office, assim como a mudança para um novo lar (não importa se você está trabalhando ali ou não).

Realocação foi um tema global comum em 2020, com pessoas se mudando de cidades densamente povoadas, como São Paulo ou Lisboa, para locais com menos concentração populacional no interior.

Emergindo simultaneamente com o deslocamento de lugar, o deslocamento de atividade resume-se à mudança do jeito como as pessoas fazem as coisas.

O deslocamento coletivo teve impactos imensos na vida das pessoas. As empresas precisam entender que o consumidor que antes elas “achavam” que conheciam, hoje não conhecem mais nada.

À medida que as empresas exploram novas experiências, surgem desafios imediatos a considerar. Primeiro, as marcas precisam entender como a absorção de informação mudou.

Aquelas que confiavam na exposição decorrente de padrões de comportamento estabelecidos há tempos – por exemplo, pessoas viajando fisicamente de um lugar para outro – precisam buscar formas de ganhar mais visibilidade.

Segundo o ato de comprar algo mudou. Passou de uma necessidade apenas para estar presente no dia a dia em micro momentos. Por último, o físico é passado, cada empresa precisa ter seu posicionamento digital enfatizando a experiência.

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SEGUNDA: A INOVAÇÃO PARTINDO DE CADA SER HUMANO

Em muitos países, estamos assistindo uma ebulição do empreendedorismo. Apenas em 2020 no Reino Unido, foram criadas mais de 50% de empresas do que em 2019.

Empreendedorismo também está em alta, com pessoas aproveitando as oportunidades que surgiram na pandemia em novas carreiras.

Artistas estão explorando muitas oportunidades no TikTok, com alguns alcançando sucesso imediato após suas músicas e desafios viralizarem. Um ponto fascinante é que médicos e enfermeiros também estão usando a plataforma para alcançarem audiências mais amplas.

Organizações devem encontrar um meio de participar da revolução DIY (sigla para “faça você mesmo” em inglês).

Elas precisam entender como as linhas entre inovação, criação e entre criador e consumidor se misturaram. Na área do design, há muito falo sobre as virtudes da cocriação entre pessoas para alcançar os melhores produtos e serviços possíveis. Mas agora, as organizações devem começar a pensar na cocriação como um produto – desenhando ferramentas e plataformas que permitam às pessoas criarem para elas mesmas.

Inovação corporativa não se resume apenas a ideias. Você também precisa de energia, coragem, alinhamento e liderança para avançar, às vezes repetindo e insistindo por um longo período antes de produzir invenções.

Uma abordagem antiga de inovação seria perguntar: o que virá depois do smartphone? Agora, toda organização deverá se fazer uma nova pergunta no processo de inovação: o que mais as pessoas poderiam fazer com isto?

TERCEIRA: FORMAÇÃO DE EQUIPES

Para uma expressiva parcela de funcionários, trabalhar de casa passou a ser morar no escritório. Isso tem um efeito enorme sobre o acordo recíproco entre patrão e funcionário.

Antigamente, assumíamos que nossos empregadores bancavam os custos de muito do que precisamos para atuar, como mesa, cadeira, computador e acesso à internet.

Mas muitos de nós estão cobrindo estes custos por conta própria agora que fazemos home office. E enquanto os trabalhadores seguem recebendo seus salários, o valor de estar fisicamente presente num escritório – capital social, transferência de conhecimento, habilidades pessoais e experiência prática – vai se perdendo.

Quatro vertentes devem ser consideradas quanto a equipes:

Tecnologia: Muitas empresas que mantiveram a transformação digital a uma curta distância agora decidiram abraçá-la. Em breve, hardwares e softwares que revolucionaram as experiências do trabalho remoto e da colaboração em equipe se tornarão comuns.

Companhias que investiram nisso mais cedo podem obter vantagem competitiva.

Cultura: Os patrões vão precisar de abordagens sobre a cultura corporativa especialmente, criadas para suas equipes virtuais. Mas as empresas devem reconhecer que muitas variáveis que dão forma à cultura não estão sob seu controle – comunicações específicas entre colegas são valiosas para evitar o isolamento.

Talento: Existem oportunidades para inovar em torno da valorização e reconhecimento do talento. Faixas salariais baseadas na localização da execução do trabalho precisarão ser reavaliadas, enquanto no recrutamento.

O home office permite aos empregadores montar redes bem mais amplas do que víamos antes. O apoio ao trabalho remoto vai se tornar uma regalia do funcionário, com pacotes compostos por elementos desde banda larga para a residência e móveis de escritório a assistência para cuidados infantis ou de idosos.

Isto é também uma via de mão dupla: se talento pode ser encontrado em qualquer lugar, então funcionários e patrões poderão estabelecer redes mais distantes e mais amplas.

Controle: Garantir que trabalhadores caseiros desempenhem tarefas designadas a eles é um desafio crescente para empregadores, o que faz surgir um significativo rol de questões acerca de controles. Por exemplo, a implementação de cibersegurança efetiva no regime de home office será essencial, porém isso vai criar questionamentos sobre privacidade.

QUARTA: INTERAÇÕES COM SENTIMENTOS

Enquanto por um lado a importância das telas aumentou muito em nossos lares, nossa vontade de usar telas compartilhadas em espaços públicos despencou.

Até a chegada da vacina, o toque como forma de interação tornou-se problemático e várias empresas aceleram seus esforços para desenvolver alternativas.

Mesmo antes da pandemia, as interações por proximidade já vinham tendo pouco contato e máquinas já escaneavam automaticamente informações de itens colocados próximo a elas.

Marcas que se libertam de normas ultrapassadas e de padrões de design restritivos podem alcançar diferenciação. Com o conteúdo correto nas telas desenvolvido por meio de excelente design, a audiência pode achar a experiência virtual tão estimulante quanto a do mundo real.

QUINTA: A INFRAESTRUTURA LÍQUIDA

Com menos gente indo fisicamente às lojas, os centros comerciais urbanos minguaram. Deslocamento coletivo, o lar passou a ser a vitrine da loja. Mas muitos querem ter, de forma imediata, a mesma satisfação e prazer com a experiência que tinham em uma loja.

Não importa onde estejam. Como a maioria das pessoas não alcança isso com suas entregas, trata-se de uma enorme oportunidade.

As organizações precisam repensar a posição do supply chain dentro do seu negócio e expandir a ideia do que são seus ativos e o modo de usá-los.

As empresas precisam considerar seu supply chain como um impulsionador de crescimento. A demanda por personalização é uma importante oportunidade que requer às cadeias de suprimento serem mais flexíveis e responsivas.

As companhias devem incluir agilidade e resiliência em toda a cadeia de abastecimento, assim poderão se adaptar rapidamente às mudanças.

Não se trata, no entanto, apenas de gerenciar futuros movimentos causados pela pandemia. É mais sobre assegurar o enfrentamento da mudança climática.

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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