A TRANSGRESSÃO DO POPULAR

Há um suspiro de verdade se manifestando bem perto dos nossos olhos. Distante do imediatismo do mercado que consome e destrói toda manifestação artística elevando a mesma ao topo e depois quando não é mais conveniente a descarta.

Nos tempos que vivemos, um movimento que nasce no Brasil também como uma forma de contestar o poder ditatorial, expressa em sua plenitude o sentimento popular de alegria a expressão do belo.

O Parangolé com Hélio Oiticica é uma destas expressões que transforma por completo o que acreditamos ser arte. O sentimento é apenas um, expressar toda forma de sentimento em um movimento que traz à tona o cotidiano, a vida de verdade sem as máculas ou construções mercantilistas.

Acredito que por expressar a verdade, muitos se incomodam com o funk carioca, ou simplesmente funk, um estilo musical oriundo das favelas do estado do Rio de Janeiro. Apesar do nome, é diferente do funk originário dos Estados Unidos. Isso ocorreu, pois, a partir dos anos 1970 começaram a ser realizados bailes, black, soul, shaft ou funk no Rio de Janeiro.

A verdade destes movimentos populares incomoda, pois, eles expressam algo que não é controlado, definido ou estruturado para atender esse ou aquele interesse. Eles estes movimentos apenas expressam o sentimento através da arte.

Leia também: A ESTÉTICA URBANA COMO FERRAMENTAS NA EDUCAÇÃO

A TRANSGRESSÃO DO POPULAR: A ESTÉTICA PÓS-MODERNA

A estética visual contemporânea ou pós-moderna vem tendendo à multimídia, à mistura, à hibridação, ao mesmo tempo que cultiva a ambiguidade, a indefinição, a indeterminação, a polissemia das mais diversas formas visuais buscam ampliar ao máximo as suas possibilidades conotativas.

Em outras palavras, a pós-modernidade tem predomínio do instantâneo, da transgressão popular, da perda de fronteiras, gerando a ideia de que o mundo está cada vez menor através do avanço da tecnologia. Estamos diante de um mundo virtual, imagem, som e texto em uma velocidade instantânea.

No campo urbano, a cidade é vendida aos pedaços porque nela há caos, (des)ordem: padrões de diferentes graus de complexidade: o efêmero, o fragmentário, o descontínuo, o caótico predomina.

Mudam-se valores: é o novo, o fugidio, o efêmero, o fugaz e o individualismo que valem. A aceleração transforma o consumo numa rapidez nunca vivenciada: tudo é descartável (desde copos a maridos/ou esposas).

A publicidade manipula desejos, promove a sedução, cria imagens e signos, eventos como espetáculos, valorizando o que a mídia dá ao transitório da vida. As telecomunicações possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, facilitando a mercadificação de coisas e gostos.

A informatização, o computador, o caixa-rápido 24 horas, a telemática é compulsivamente disseminada. As lutas mudam: agora não é contra o patrão, mas contra a falta deles. Os pobres só dizem presente nos acontecimentos de massa, lugar de deslocamento das energias de revolta.

Estamos vivendo um momento de fenômenos insólitos. Tudo se passa como se o futuro tivesse se tornado um lugar vazio. O procedimento pós-moderno é antes uma paixão do “tecer das alteridades” enquanto estamos diante da TV, bebendo um refrigerante Coca-Cola, mastigando um Mcdonalds feliz ou experimentando um biscoito Nestlé, sem (des)entendimentos da Nova Ordem Mundial, nova sociedade ou sociedade de consumo.

A transgressão do popular é o sopro de consciência para que mesmo sendo o fugaz, possamos perceber a realidade além do que nos é apresentado. 

SOBRE O AUTOR

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.