O REGIONALISMO BRASILEIRO COMO CELEIRO PARA A INOVAÇÃO

Programas de inovação para empreendedores pipocam em meu e-mail todos os dias com convites para que eu ministre mentorias, aulas, curso etc. Fico feliz em ver como conseguimos formar uma boa rede de programas que suportam as diversas fases do empreender dentro do regionalismo brasileiro.

Não estou falando de décadas atrás, mas recordando há pouco mais de cinco anos era difícil para qualquer empreendedor encontrar suporte para desenvolver seu modelo de negócio que não fosse as famosas incubadoras.

Dez anos depois de fundar uma empresa de tecnologia (essa empresa caminha muito bem obrigado, e faço parte das ações estratégicas com muita energia todas as semanas. Você pode conhecê-la clicando aqui.) que até hoje é meu maior e mais belo exemplo de empreender, iniciei novamente uma nova fase de construção de negócios.

Uma jornada percorrida de experiências deve ser sempre entendida como aprendizado. Mesmo que esses aprendizados sejam doloridos e muitas vezes nos revelem uma face nada animadora. Estou dizendo que nem sempre as nossas experiências são rosas.

Vale a pena a leitura do artigo “Nossa história: Temos consciência do que vivemos?

Empreender é ter resiliência. Sim, como na física dos materiais, a única certeza que temos ao empreender é que seremos questionados, desacreditados e quase sempre teremos que nos provar válidos.

A PROLIFERAÇÃO DOS PROGRAMAS DE INOVAÇÃO DEMONSTRA A MATURIDADE DO NOSSO ECOSSISTEMA

Nesta nova jornada iniciada a cerca de dez anos, comecei literalmente do zero. Mergulhei em cursos, treinamentos e percorri pela criação de novos negócios. Comecei a investir em startups e literalmente ressignifiquei minha vida!

Presidência de um instituto de tecnologia, mais de dez empresas criadas, inclusive algumas fora do Brasil. Tudo isso começou a despertar em mim o que eu chamo de empreendedorismo serial.

Olha, mas tem um ponto que não posso deixar de comentar como um dos mais significativos e importantes nesta jornada, o Sebrae. Logo no início desta segunda jornada, conheci as ações que o Sebrae desenvolvia neste modelo de empreendedorismo que se tornou para mim quase um mantra.

Era ainda os primórdios do que podemos chamar aqui no Brasil de cultura de Startups. O Sebrae também iniciava suas ações neste universo, foi literalmente um encontro de quem quer estar junto.

Logo, comecei a ser convidado por diversos Sebraes do Brasil para dar treinamentos, palestras e participar de circuitos de inovação para empreendedores. E alguns anos, quase todos os estados do Brasil já tinham ouvido falar sobre mim. E eu pude ver com meus olhos o regionalismo brasileiro como um grande ativo para o nosso crescimento.

Programas regionais com suporte do Sebrae, programa Like a Boss, Sebrae Startup Day, diversas bancas de avaliação em segmentos específicos de startups, Campus Party. Bem, são muitos eventos. Nos últimos seis anos, participei de mais de 300 bancas avaliando mais de 2000 projetos.

Quando comentei acima que hoje muitos empreendedores podem contar com diversos programas de inovação isso de fato é muito bacana. Mas no Sebrae, para o empreendedor estes programas que mencionei acima são todos sem nenhum custo e nada de equity como muitos programas cobram.

O ápice do meu envolvimento com o Sebrae foi quando eu o trouxe para o ABC paulista os programas Startup Day e Startup SP, enquanto estava na presidência do ITESCS. Fabio Souza, do Sebrae regional além de parceiro foi o líder que precisávamos em nossa região. Esses programas hoje são referências nacionais de êxito.

CAPITAL EMPREENDEDOR: A FORÇA DO REGIONALISMO BRASILEIRO

Posso dizer que muito do que conheço do ecossistema brasileiro devo ao Sebrae e em especial ao programa Capital Empreendedor. Maria Auxiliadora, do Sebrae Nacional logo na primeira edição do programa me convidou para participar na cadeira de investimento.

Nas edições que aconteciam nos estados, nós dávamos mentorias startups e levávamos a eles nos rincões do Brasil as melhores práticas de cultura de inovação, fundamentos de cultura de startup e acesso ao mundo dos investimentos.

Estados do Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro Oeste eram percorridos por nós logo quando comecei e olha que já faz anos que participo do programa. Tomei um susto com o potencial que era revelado para mim.

Não tenha dúvida que ao percorrer o Brasil, eu encontrei modelos de negócios que já havia visto em outros locais. Mas ano a ano minha surpresa aumentava. Empreendedores mais bem qualificados, startups com modelos de negócios mais inovadores.

Bem, confesso ano a ano o regionalismo brasileiro mostrava para mim que as melhores oportunidades estavam justamente no lugar que poucos tinham coragem de ir.

As startups precisam solucionar problemas de verdade, no artigo “Startup de verdade nascem da solução de problemas de verdade” eu falo mais sobre isso.

A cada etapa do programa eu criava dentro de mim a expectativa de conhecer os empreendedores e entender novos modelos de negócios. Mas o melhor ainda estava por vir.

O CRESCIMENTO ECONÔMICO APÓS A PANDEMIA PASSA POR ACREDITARMOS EM NOSSO REGIONALISMO BRASILEIRO

Na edição do Capital Empreendedor de 2020, ano em que nossas vidas foram marcadas literalmente por uma enorme reflexão, todos nós tivemos a oportunidade de aprender e sermos melhores.

Deixo dois artigos para aprofundar as reflexões possíveis neste momento de mundo: “Empreendedorismo pós-pandemia” e “Reflexões da pandemia”.

As ações do Sebrae não pararam durante a pandemia e não podia ser diferente, pois afinal, é o empreendedorismo que precisa que criar respostas e novas abordagens aos problemas que vivemos.

Como o modelo que criamos de internacionalização tem sido e é um enorme sucesso, neste ano minha cadeira no Capital Empreendedor foi de internacionalização. Percorri de forma on-line quase todos os estados do Brasil e falei individualmente em sessões de duas horas com mais de 100 empreendedores.

De modelos de negócios relacionados com construção civil até área médica, um a um despertava em mim a percepção de nossa maior riqueza enquanto nação o regionalismo brasileiro.

Em alguns estados, ficava evidente os modelos mais voltados para tecnologia da informação. em outros soluções práticas e inovadoras para o cotidiano ou nossa carente infraestrutura.

Criatividade, inovação e resiliência são apenas alguns aspectos destes empreendedores. Mas o mais incrível é poder ter a oportunidade de conhecê-los e ajudá-los.

Em alguns casos, ainda é cedo para internacionalizar, mas nunca é tarde para ajustar o modelo, alinhar a estratégia e receber dicas importantes para encurtar o tempo de acesso ao mercado.

Para nós empreendedores, as possibilidades que temos de partilhar conhecimento e aprender com outros empreendedores e simplesmente um novo MBA. Ano a ano aprendo, compartilho e pratico o que deveria ser algo simples, mas às vezes temos uma enorme dificuldade. A humildade de entendermos que não importa onde seja, sempre terá um empreendedor fazendo algo para melhorar o mundo.

Gratidão a Maria Auxiliadora Umbelino de Souza e a Sheila Maria Batista Alves, do Sebrae Nacional que levam este programa ano a ano para todo o Brasil. Contem comigo sempre que precisarem.

Na escola do empreendedorismo o Sebrae é mestre e sou muito grato por poder fazer parte desta história.

SOBRE O AUTOR:

Benício Filho.

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela UNIFESP em Neurologia Oftalmológica na área de Empreendedorismo e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 300 eventos (número atualizado em dezembro de 2019). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul) bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas”.

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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