MINHA EXPERIÊNCIA COM O COVID

Cada um de nós tem feito uma experiência pessoal com a pandemia. Lembro do começo de tudo, no início de 2020, quando ainda eram notícias vindas da China as cenas de isolamento social que lá ocorriam de maneira bem intensa. 

Aqui no Brasil demoramos a entender que aquilo tudo chegaria aqui. Quando como em um tsunami fomos atingidos não poderia ser diferente. Abateu sobre todos nós a insegurança e o sentimento de que estávamos perto do fim.

Muitos amigos se perguntavam quanto tempo ficaríamos no modelo on-line para quase tudo na vida. Foi um período esquisito, pois de maneira abrupta e sem nenhuma preparação fomos enviados para nossas casas e o que era nosso lar virou tudo.

A casa virou a Nova Caverna de Platão. Confesso que minha primeira atitude logo quando tudo começou foi estudar muito e ser ponte entre tantas pessoas que passavam por sofrimentos bem maiores que os meus. 

Neste momento, minha formação em psicanálise se mostrou bastante importante e um diferencial para passar pelo que estávamos vivendo e ajudar também outras pessoas. 

Uma das coisas que mais fiz na pandemia foi escrever. Foram centenas de textos e dois livros. Um deles já foi publicado que você pode adquirir pela Amazon. 

Do Caos ao Recomeço, é justamente reflexões sobre a pandemia. Neste livro, em conjunto com a minha grande amiga Renata Marinho, falo sobre tudo que estou vendo, sentindo e acreditando ser possível quando se olha para as transformações do mundo. 

Mas não se vive de reflexões. Já dizia Santo Agostinho, (13/11/354 a 28/08/430) “Fé sem obras e vazia”. Sem ações concretas, corremos o risco de virarmos apenas falantes pelo mundo. 

Minhas experiências vividas na pandemia abriram meus olhos para muitas novas formas de olhar e viver. Uma delas foi estar mais próximo de mim mesmo, dos meus filhos e das pessoas que amo. 

Minha companheira Flávia Bosi tem sido também alicerce importante desta redescoberta. Apenas amamos quando deixamos alguém nos amar. Isso é permissão. 

A pandemia tem criado novas e incríveis oportunidades. E mesmo diante do caos, ainda acredito que devemos ter esperança. 

A VACINA ABRE PORTAS PARA UMA NOVA VIDA, MAS O VÍRUS AINDA ESTÁ PRESENTE 

Lembro que no início de tudo, sonhamos com a vacina. Ela chegou e começamos enfim a acreditar que poderíamos recomeçar. 

Não foi simples como imaginamos. Primeiro a vacina não resolve tudo, devemos continuar nossa vigilância e tomar as duas doses recomendadas, mas não se iluda, a vida não voltou ao que acreditávamos ser o normal.

Tenho a impressão que adentramos um mundo que podemos chamar de angustiante. Em “Ensaios sobre a Angústia”  discuto o tema e aprofundo minha visão em relação aos nossos medos. 

E como temos medos. Bem, posso dizer dos meus. Não desisto de nada em função dos medos que tenho, mas eles estão sempre presentes. 

Escrevo este artigo em setembro de 2021, pouco antes de embarcar para uma temporada de quase três meses em Portugal. Já viajei o mundo, mas desta vez ficar por este período longe dos meus filhos tem despertado um medo que eu não tinha.

Mas como tenho dito, faz parte sentir medo. E ele está presente até para nos avisar que não somos invencíveis.

MESMO COM MEDO, TEMOS QUE CONTINUAR 

E foi vencendo o medo de começar a circular e retomar algumas ações presenciais na vida, que por volta do dia 20 de agosto fiz três encontros presenciais e em um deles, ganhei de presente o Covid. 

Já dizia minha sábia vozinha que feliz é o ignorante. Eu não pensei que estivesse com o vírus. E dia a dia comecei a me sentir mal. 

Eram sintomas estranhos, não pareciam com os da gripe como falam. Eu sentia na verdade dores fortes no corpo, barriga e febre. Muita febre. 

Fiquei aguardando em casa e medicando a febre pelos dias que os médicos dizem serem necessários para uma virose ir embora. Os famosos três dias. 

Quem já teve filhos, sabe o que estou dizendo. Todos os médicos ao não saberem o que está à sua frente e tendo pais aflitos com seus filhos, dizem. Voltem para casa e aguardem três dias com a febre medicando.

Depois deste tempo, uma garganta inflamada, gripe forte, inflamação ou mesmo a tal virose aparece ou vai embora.

Bem, os três dias passaram e minha febre no terceiro dia chegou próximo aos 40 graus. Eu surtava, mesmo assim mantive tudo em ordem, trabalho, estudos etc. 

No quarto dia, não deu mais. E meu destino foi o hospital.

NO HOSPITAL TODOS JÁ SABEM MUITO BEM COMO LIDAR COM OS INFECTADOS 

É um grande alívio saber que hoje existem protocolos, remédios e tratamento muito humanizado para quem tem suspeita de Covid. 

Fui rapidamente atendido e submetido a muitos exames. Nos exames de imagem, nada havia em meus pulmões, mas nos laboratoriais, lá estava o vírus. 

Com o devido diagnóstico, retornei para casa e uma boa quarentena me esperava. Poucos remédios seriam prescritos, mas muitos sintomas apareceriam dia após dia.

Sabor e cheiro não sei ainda o que é isso. Já passaram dos 20 dias que tive o Covid e ainda sinto muito pouco sabor e cheiro. 

Dores no corpo ainda são comuns e às vezes incomodam muito. O corpo ainda parece que sofre ataques do vírus. Mas o que mais tira minha paciência é a companheira que ganhei. 

Uma tosse que não parece querer deixar meu corpo. Ela está sempre presente. Dia, noite e madrugada ela persiste. 

Tossir nunca foi bom, mas nos dias de hoje tossir perto de alguém parece que você tem algo muito ruim. 

Lá se vão frascos e mais frascos de xarope, chás, gengibre e tudo mais que se pode imaginar. 

Quando escrevi “Reflexões sobre a Pandemia” jamais imaginaria que poderia falar sobre ela em primeira pessoa tendo o vírus. Mas ele é implacável.

Hoje, no Brasil somos mais de 20 milhões de infectados com quase 600 mil mortos. Podemos dizer que vivemos uma das nossas maiores guerras. 

O que não posso deixar de perceber, no entanto, são os aprendizados pelos quais tenho passado. E alguns deles quero compartilhar com você. 

ALGUNS APRENDIZADOS DA MINHA EXPERIÊNCIA COM O COVID

Todos nós sofremos juntos. Em a “Geração do Trauma”, reflito sobre como devemos ver o mundo a partir da pandemia. Meus dois filhos foram impactados profundamente por ela, mas nós também, estamos tendo nossa vida transformada. 

Logo no começo quando entendi que estava com o Covid, fiquei com receio dele piorar, mas dia a dia eu melhorava e apenas a distância dos meus filhos, pais e amigos realmente me deixava triste. 

Entendi que para poder amá-los, eu precisava estar bem e fiz da minha recuperação o meu principal objetivo. 

Foco em me alimentar mesmo sem fome, amo cozinhar e realmente fui para a cozinha fazendo apenas o que queria comer. Isso foi um novo reencontro com algo que amo. Acabou sendo uma diversão à parte.

Sou bastante espiritualizado. Mas nestes dias de Covid, rezava como quem conversava com um amigo, e minhas orações ganharam a sabedoria que em minha Jornada para Compostela eram onipresentes. 

Meu contato com meus filhos, pais e amigos esteve presente todos os dias. Flávia também ao meu lado vivia sua experiência com o Covid, mas juntos também doamos energia um ao outro. 

O Covid é implacável! Ele deixa suas marcas e exige muita energia de quem luta contra ele. Mas é acima de tudo uma luta individual. 

Você precisa estar com sua rede de proteção, mas a luta é sua. Desta maneira, venci minha luta e pouco mais de duas semanas desde que o diagnóstico já estava bem, apenas com a tosse que comentei.

Estamos todos no mesmo barco, eu, você e toda a humanidade. Este inclusive foi mais um dos aprendizados.

Sempre acreditei na imagem da Casa Comum. A Terra como um grande elemento vivo, provendo tudo a todos. Somos responsáveis pelo cuidado neste local que chamamos de casa.

Cuidar do meu tempo sagrado, meu corpo, deve ser compreendido como cuidar da Terra. Desta maneira, quero ainda mais estar presente na luta por um planeta que proteja toda forma de vida.

Um mundo melhor não depende dos outros, mas sim ele começa por mim.

Que possamos aprender mais com a pandemia e com as experiências vividas com ela.

Amém. 

Benício Filho

Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC-SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente está em processo de conclusão do curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco.

Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador da Palestras & Conteúdo, sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio-fundador da Agência Incandescente, sócio-fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal).

Atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio). Além de participar de programas de aceleração, como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros.

Palestrando desde 2016 sobre temas, como: Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência. Já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.    

Construir conhecimento só é possível quando colocamos o aprendizado em prática. O mundo está cansado de teorias que não melhoram a vida das pessoas. Meus artigos são fruto do que vivo, prático e construo.

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